terça-feira, 14 de julho de 2009

Dor voluntária?

Estava lendo um artigo intitulado “Dor do parto oferece vantagens”. Posteriormente, o próprio jornal trazia uma enquete online:


DOR NO PARTO
Em artigo publicado em revista científica, obstetra afirma que a dor durante o parto traz vantagens para mãe e filho. Qual sua opinião sobre parto com dor?


E então cada um poderia votar. As respostas eram:

Sou mulher e a favor das dores no parto
Sou mulher e contra as dores no parto
Sou homem e a favor das dores no parto
Sou homem e contra as dores no parto


Achei a enquete uma pérola da manipulação... Quem, em sã consciência, votaria “sou a favor da dor”? Na verdade o que a matéria deveria estar divulgando é que o parto normal é um processo no qual todo o corpo está direcionado para aquela atividade, e tem seus mecanismos de compensação em relação à dor, que também tem seu papel. O objetivo do parto não é sentir dor, e sim trazer uma criança ao mundo! A dor vem da dilatação dos ossos da bacia, necessária para a passagem do bebê.

Talvez hoje estejamos vivendo um momento histórico de assepsia total e baixíssima tolerância à frustração. Aliado a isso, temos obsessão pelo controle de todos os eventos à nossa volta. Obviamente a indústria farmacêutica, os hospitais e os planos de saúde não ficam alheios a isso. Fazem de tudo para melhor nos atender... Com a nossa anuência, é claro. Aliás, tais indústrias costumam fazer propagandas nos jornais para nos oferecer seus serviços...

Pensemos bem: o que é melhor? Contratar um anestesista, marcar a cesárea e agendar a data do nascimento do bebê ou deixar o médico de plantão, impossibilitado de fazer sua viagem no feriado, esperando a hora certa? É, Perls, é difícil não apressar o rio nesses tempos de barbárie. Mas a barbárie é sem dor. Tome mais um soma.