sábado, 11 de abril de 2009

Neuro-ótica

Estes últimos dias, estive pensando muito sobre o equilíbrio emocional. Eu tenho uma afinidade grande com os autores marxistas e me interesso pela questão da alienação, sobre como o modo de produção capitalista impede as pessoas de perceberem as relações de dominação a que estão sujeitas. Essa falta de percepção faz com que, normalmente, as pessoas analisem os fatos a partir do senso comum, permanecendo na alienação.

Mas esta semana estive pensando nos neuróticos graves. A questão deles é muito anterior a isso, muito mais primitiva, se falarmos de desenvolvimento humano. Os neuróticos em grau severo ainda estão enredados nas questões mais primárias do ser humano: competição entre irmãos, necessidade de ser aceito, dúvidas sobre o afeto dos pais, inibição para agir por temor de que sua ação seja julgada como sendo errada e, então, perca a aprovação necessária para sobreviver. Todos esses elementos fazem parte, digamos, de um psiquismo frágil, levando a pessoa a gastar uma grande quantidade de energia mental no cotidiano. O resultado é que pessoas assim costumam ter um grau de apatia considerável.

Fiquei me questionando: talvez, para avançarmos na direção de uma sociedade mais evoluída, precisemos nos tornar, como indivíduos, pessoas mais evoluídas. Porque os neuróticos graves ainda estão presos numa dose maciça de egocentrismo: não há espaço para os grandes problemas do mundo. Não há espaço para a África nem para o trabalho escravo dos chineses. Não há espaço para a dívida interna dos Estados Unidos e para questionar a falta de terras num país de latifúndios como o nosso. Não. O neurótico grave ainda está tentando descobrir quem é o filho preferido e gastando toda sua energia para conquistar o amor de papai e mamãe – mesmo que já tenham morrido.

Não sou adepta do higienismo, nem sou amante da psicanálise, mas fico me questionando: poderemos fazer revolução apesar dos neuróticos graves e sua ótica personalista?

Talvez seja necessário um passo anterior: dar mais atenção à saúde mental das crianças hoje, pensando num futuro mais promissor.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Eternos insatisfeitos

Minha mãe costuma utilizar essa expressão para designar pessoas que nunca estão satisfeitas com nada. Pois é. Eu cheguei à conclusão de que todos os médicos se encaixam nessa descrição perfeitamente. Eu explico.

Hoje fui à minha sessão de acupuntura e disse à médica que eu havia cochilado na sala de espera. Na mesma hora ela mediu meu pulso e começou a perguntar sobre a minha alimentação, dizendo que, pela medicina chinesa, eu estava com frio no baço, etc etc...

Então ela perorou: "Você deve parar de tomar leite. E não deve comer vegetais crus à noite, porque te fazem mal. Devem ser fervidos no vapor." Tentei argumentar com ela que eu ODEIO legumes cozidos, porque eles ficam moles, com uma aparência horrorosa. Ela ainda continuou dando receitas de chás estranhos para eu tomar de manhã, em vez de tomar leite no café.

Enquanto estava lá com minhas agulhinhas passou um filminho na minha cabeça. "Era uma vez, num reino distante..." Me lembrei que, em 2001, eu parei de comer enlatados, embutidos e refrigerantes, porque minha avó estava com câncer e minha ginecologista disse que esses alimentos tinham relação com a doença.

Algum tempo depois, cortei sanduíches tipo fast-food, que nunca foram algo de que eu sentisse falta. Aos poucos, também cortei as frituras do cardápio. Posteriormente, deixei de tomar líquidos durante as refeições, porque dizem que não faz bem, etc etc etc. Mas eu ainda tinha muitos outros vícios o que, somados à minha fervorosa tendência à obesidade, me levavam a engordar.

Um desses vícios era comer doce. Qualquer um, de qualquer tipo, e desesperadamente. Ano passado comecei a fazer acompanhamento com uma nutricionista e tenho conseguido controlar minha compulsão. Já faz algum tempo que não como doces, substituí por outras opções mais saudáveis. Mas a nutricionista me fez cortar queijos amarelos e todos os tipos de salgadinhos de padaria, assim como biscoitinhos e etcs.

Álcool também nunca foi algo importante para mim, de modo que não sinto falta. Também não tenho o hábito de tomar choppinhos ou happy-hours. Fumar, nunca fumei. Faço academia no mínimo três vezes por semana. Durmo bem.

E então eu fiquei me perguntando: ainda não tá bom, *&$%&*%&$??????????????????????? Ou quem sabe eu deva começar a dieta do xixi??????????

domingo, 5 de abril de 2009

I.O.U.S.A.

O documentário de 2008, dirigido por Patrick Creadon, examina o crescimento assustador da dívida interna dos Estados Unidos e suas conseqüências para o país. A tradução seria algo como Estados Unidos da Dívida.

O documentário analisa alguns vícios do cidadão comum americano, como a incapacidade de poupar antecipadamente para adquirir um bem, devido à facilidade do crédito. Contrapõe esse tipo de atitude à de um casal de chineses, tomado como exemplo para ilustrar, que guarda nada menos do que metade do que ganha. Dentre as formas de investimento dos chineses, ironicamente, estão títulos da dívida americana.

O filme apresenta Robert Bixby, diretor da Concord Coalition, uma organização voltada para esclarecer à população geral sobre a dívida, suas causas e efeitos. Robert cruza o país acompanhado de David Walker, ex-controlador geral dos Estados Unidos.

No site tem uma versão resumida de 30 minutos e alguns trechos interessantes. Veja aqui.

Mesmo que, apesar da crise, os Estados Unidos ainda sejam a potência que são, é interessante perceber que eles são muito mais do que seriados e filminhos e conseguem ter uma visão crítica sobre si mesmos. Melhor ainda é poder assistir a um filme que traz um pouco da América do Norte real, ao invés de famílias de classe média felizes que ainda têm casa para morar...

O documentário será reapresentado no Domingo, dia 12 de abril, às 21h no GNT.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Greenpeace politicamente incorreto

A TV Cultura noticiou que, no dia de hoje, o Greenpeace, organização voltada para a proteção do meio-ambiente, realizou mais um de seus famosos protestos. Estenderam um banner gigante na ponte Rio-Niterói. Os passantes, movidos pela curiosidade, acabaram se aglomerando no trajeto da ponte, para onde se dirigiram - todos de automóvel, é claro. O resultado: aumentaram as emissões de CO2 no local.

Como dizia meu avô: quando a cabeça não ajuda...

P.S.: Depois de tantos dias preguiçosa, resolvi voltar hoje, 1º de Abril, que vem bem a calhar.