Venho utilizando esse espaço para, de alguma forma, mostrar o que venho escrevendo. Obviamente, quando se escreve, escreve-se para ser lido. Mas ser lido não significa ser identificado. As pessoas podem ler sem que eu me identifique, coloque meu nome, endereço, telefone, data de nascimento, foto, gostos pessoais e me conforme com os ― inevitáveis? ― rótulos.
Quando as pessoas criam um perfil no Orkut, elas mesmas parecem se rotular pelas comunidades a que dizem pertencer. Eu não tenho Orkut, por diversas razões. Alguns amigos sentenciam: “Você não está neste século.” Realmente, muita coisa desse século ainda não consegui compreender.
Por exemplo: pessoas que começam uma dieta e fazem um diário na internet. Casais que engravidam (ou estão tentando engravidar) e relatam o processo pela internet. O dia-a-dia e o crescimento do filho, pelos blogs, com fotos. Nesse sentido, confirmo que não sou deste século. Faço parte da burguesia e compactuo com seus sagrados ideais de privacidade. A exposição de fatos privados num canal tão escandalosamente aberto como a internet ainda me soa como strip-tease. E, diga-se de passagem, meu corpo não passaria pela prova. O público agradece.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
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