segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Porque não és quente nem frio...

Estive lendo algumas coisas que escrevi recentemente e percebi que a grande maioria, invariavelmente, tem um tom ácido, um tanto irônico e corrosivo.

Me lembro de um padre com quem eu costumava me confessar. Ele cuidava de um museu que tinha, entre muitas outras coisas, animais empalhados. Uma vez ele apontou para uma onça pintada (ou jaguatirica, não sei, nunca fui boa nessa área...) e disse: “Olha ali você!”. Na ocasião acho que não gostei muito.

Mas hoje, acho que me conformo e até gosto. Para não fugir da tradição judaico-cristã da minha família, às vezes me pego meditando nas palavras: “porque não és quente nem frio, eu te vomito” (Apocalipse 3,16). Talvez essa sempre tenha sido minha filosofia. Sempre fui “opiniática” como dizia meu avô (Imagine, mulher ter opinião, que absurdo! Mais absurdo ainda ela achar que alguém se interessa em saber o que ela pensa!).

Quem me conhece sabe que morno realmente está longe de ser uma palavra que me descreva. Posso dizer que não é confortável viver um dia congelando e outro no ardente. Às vezes queima até a gente mesmo (porque o frio também queima). Mas, como diz Manoel de Barros, “ninguém pode fugir do erro que veio”.

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