Assisti o final de um programa do canal Sony chamado America´s next top model. Parece ser algo como um concurso em que, no final, a candidata ganha um contrato de modelo. Havia 12 candidatas, e uma delas seria eliminada. Depois de analisar as fotos de todas (a maioria bem feinha, diga-se de passagem), o júri decidiu eliminar uma moça.
A justificativa: ela é bonita, fotogênica, as fotos ficaram muito boas. Mas ela é muito questionadora e não fica quieta quando lhe dão ordens. “Você precisa aprender a ficar calada quando pessoas mais experientes lhe dizem o fazer. Isso é extremamente importante no trabalho. Ninguém vai querer trabalhar com uma modelo que fica perguntando o porquê das coisas.” What is that????????? A tal candidata estudava em Yale, deve ter entrado no programa sabe-se lá por que (talvez para ajudar a pagar a anuidade). Claro que a primeira reação é pensar: quem sai na chuva é pra se molhar. Mas os conselhos dados à candidata eliminada descrevem o perfil da mulher desejada. Talvez não tão bonita, mas que se enquadre no padrão e fique, de preferência, de boca fechada (em vários sentidos).
Li uma algumas frases de revistas femininas da década de 1950. As matérias eram voltadas para que a esposa soubesse se comportar da forma esperada pelo homem. Exemplos de dicas da revista:
Se o seu marido fuma, não arranje zanga pelo simples facto de cair cinzas nos tapetes. Tenha cinzeiros espalhados por toda casa. (Jornal das Moças, 1957)
A desarrumação no banheiro desperta no marido a vontade de ir tomar banho fora de casa.(Jornal das Moças, 1965)
A mulher deve fazer o marido descansar nas horas vagas. Nada de incomodá-lo com serviços domésticos. (Jornal das Moças, 1959).
Se desconfiar da infidelidade do marido, a esposa deve redobrar seu carinho e provas de afeto. (Revista Cláudia, 1962)
Hoje em dia, algumas revistas femininas continuam a orientar a mulher sobre o comportamento desejado pelos homens, com matérias do tipo “Enlouqueça seu homem na cama” e etc. Não tenho nada contra enlouquecer seu homem na cama, mas vocês irão concordar comigo que não existem matérias desse tipo nas revistas masculinas. Muito pelo contrário, nas revistas masculinas o foco é o mesmo: o homem e seu prazer. Cabe à mulher procurar satisfazê-lo plenamente, com o risco de ser trocada por outra mais competente no setor.
As revistas femininas continuam ditando padrões para as mulheres: se antes deveriam ser boas esposas, hoje devem ser bonitas, ter um corpo sarado, satisfazer seu homem e... comprar. Comprar muito. Comprar coisas que a façam parecer poderosa e vencedora como um homem. E ficamos cada vez mais burras. Para comprar mais revistas, talvez.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
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