quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Para gostar de música

Para quem gosta de rock, uma sugestão: Midnight Purple. A banda formada pelos músicos Marcelo Tezeli (guitarras e voz), Marcelo Armôa (baixo) e Sandro Moreno (bateria), está com uma proposta independente, divulgando e comercializando seu trabalho somente pela internet, em princípio. As músicas são todas em inglês e o som é bem legal. A referência principal dessa turma são os Beatles, mas não é difícil encontrar elementos de outros representantes do rock (inglês, principalmente) e do blues.

Os músicos da banda são de Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Apostaram na mão-de-obra sul-mato-grossense para a produção do trabalho: as músicas foram gravadas no Muziart Studio, em Campo Grande, com produção do músico Guilherme Cruz. Além disso, dois clipes já estão sendo produzidos, também com profissionais da cidade. Eles reforçam a máxima punk “Do it yourself” – Faça você mesmo – e apostam nesse sistema para entrar, tanto no mainstream quanto no mercado underground europeu e norte-americano.

Vocês podem ouvir as nove músicas já gravadas pelo Midnight Purple por meio do Reverb Nation ou no link ao lado. Indico começar pela minha preferida, Plastic man.

Entrando neste site, vocês também podem se cadastrar como fãs e receber periodicamente informações sobre novas músicas, shows, material promocional, etc. Por enquanto, a comercialização das músicas deverá ser feita somente pelo ITunes, mas a banda espera poder vender seu trabalho no Brasil, também de forma independente.

Dentro de algumas semanas, dois clipes serão colocados para divulgação na internet. Enquanto os vídeos não saem, é possível ver um “merchand” da banda, postado no YouTube.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Usuário não-identificado

Venho utilizando esse espaço para, de alguma forma, mostrar o que venho escrevendo. Obviamente, quando se escreve, escreve-se para ser lido. Mas ser lido não significa ser identificado. As pessoas podem ler sem que eu me identifique, coloque meu nome, endereço, telefone, data de nascimento, foto, gostos pessoais e me conforme com os ― inevitáveis? ― rótulos.

Quando as pessoas criam um perfil no Orkut, elas mesmas parecem se rotular pelas comunidades a que dizem pertencer. Eu não tenho Orkut, por diversas razões. Alguns amigos sentenciam: “Você não está neste século.” Realmente, muita coisa desse século ainda não consegui compreender.

Por exemplo: pessoas que começam uma dieta e fazem um diário na internet. Casais que engravidam (ou estão tentando engravidar) e relatam o processo pela internet. O dia-a-dia e o crescimento do filho, pelos blogs, com fotos. Nesse sentido, confirmo que não sou deste século. Faço parte da burguesia e compactuo com seus sagrados ideais de privacidade. A exposição de fatos privados num canal tão escandalosamente aberto como a internet ainda me soa como strip-tease. E, diga-se de passagem, meu corpo não passaria pela prova. O público agradece.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Porque não és quente nem frio...

Estive lendo algumas coisas que escrevi recentemente e percebi que a grande maioria, invariavelmente, tem um tom ácido, um tanto irônico e corrosivo.

Me lembro de um padre com quem eu costumava me confessar. Ele cuidava de um museu que tinha, entre muitas outras coisas, animais empalhados. Uma vez ele apontou para uma onça pintada (ou jaguatirica, não sei, nunca fui boa nessa área...) e disse: “Olha ali você!”. Na ocasião acho que não gostei muito.

Mas hoje, acho que me conformo e até gosto. Para não fugir da tradição judaico-cristã da minha família, às vezes me pego meditando nas palavras: “porque não és quente nem frio, eu te vomito” (Apocalipse 3,16). Talvez essa sempre tenha sido minha filosofia. Sempre fui “opiniática” como dizia meu avô (Imagine, mulher ter opinião, que absurdo! Mais absurdo ainda ela achar que alguém se interessa em saber o que ela pensa!).

Quem me conhece sabe que morno realmente está longe de ser uma palavra que me descreva. Posso dizer que não é confortável viver um dia congelando e outro no ardente. Às vezes queima até a gente mesmo (porque o frio também queima). Mas, como diz Manoel de Barros, “ninguém pode fugir do erro que veio”.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Capitalismo X romantismo

Hoje é dia de São Valentim, data em que se comemora o Dia dos Namorados no hemisfério norte e adjacências. Alguns dizem que o famigerado santo nem existiu (como nosso conhecidíssimo Santo Expedito por aqui). Conta-se que, ainda na Roma antiga, a comemoração apropriou-se de uma festa pagã em homenagem à divindade Fauno. Mas, do mesmo modo como outras comemorações que desconhecemos a origem, a festa "pegou". E, como tudo nesse sistema econômico, o capitalismo pegou para si (será que aprendeu com o cristianismo ou vice-versa?).

Só que hoje, os recém quase-pobres cidadãos norte-americanos aboliram as orquídeas (U$ 100 a unidade), os jantares românticos em restaurantes caros, os anéis de diamante da Tiffany´s e os buquês de rosas vermelhas. Algumas lojas ainda tentam convencer os mais românticos e abastados: em vez de um buquê com uma dúzia, um buquê com dez rosas, por alguns dólares a menos.

De acordo com matéria da Folha, é grande a procura por cartões gratuitos na internet e a busca no Yahoo por “anéis de noivado baratos”, “presentes caseiros e criativos para o Dia dos Namorados” e etcs.

A crise está dando a oportunidade para os mais materialistas voltarem a uma época mais singela, de jantares caseiros e surpresas românticas e sem ostentação. Para os mais desconfiados, pode ser uma oportunidade de provar o amor verdadeiro do parceiro (“vamos ver se ela me ama mesmo sem grana”). Para os indecisos, pode ser um auxílio para tomar uma atitude (“Nossa, como ela é interesseira!” ou “Nossa, como ele é quebrado!”).

E não deixa de ser interessante ver os Estados Unidos, o país do consumo, tendo que se afastar do consumismo como modo de vida. E isso não de deixa de ter lá seu lado romântico...

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Machismo na moda

Assisti o final de um programa do canal Sony chamado America´s next top model. Parece ser algo como um concurso em que, no final, a candidata ganha um contrato de modelo. Havia 12 candidatas, e uma delas seria eliminada. Depois de analisar as fotos de todas (a maioria bem feinha, diga-se de passagem), o júri decidiu eliminar uma moça.

A justificativa: ela é bonita, fotogênica, as fotos ficaram muito boas. Mas ela é muito questionadora e não fica quieta quando lhe dão ordens. “Você precisa aprender a ficar calada quando pessoas mais experientes lhe dizem o fazer. Isso é extremamente importante no trabalho. Ninguém vai querer trabalhar com uma modelo que fica perguntando o porquê das coisas.” What is that????????? A tal candidata estudava em Yale, deve ter entrado no programa sabe-se lá por que (talvez para ajudar a pagar a anuidade). Claro que a primeira reação é pensar: quem sai na chuva é pra se molhar. Mas os conselhos dados à candidata eliminada descrevem o perfil da mulher desejada. Talvez não tão bonita, mas que se enquadre no padrão e fique, de preferência, de boca fechada (em vários sentidos).

Li uma algumas frases de revistas femininas da década de 1950. As matérias eram voltadas para que a esposa soubesse se comportar da forma esperada pelo homem. Exemplos de dicas da revista:

Se o seu marido fuma, não arranje zanga pelo simples facto de cair cinzas nos tapetes. Tenha cinzeiros espalhados por toda casa. (Jornal das Moças, 1957)

A desarrumação no banheiro desperta no marido a vontade de ir tomar banho fora de casa.(Jornal das Moças, 1965)

A mulher deve fazer o marido descansar nas horas vagas. Nada de incomodá-lo com serviços domésticos. (Jornal das Moças, 1959).

Se desconfiar da infidelidade do marido, a esposa deve redobrar seu carinho e provas de afeto. (Revista Cláudia, 1962)

Hoje em dia, algumas revistas femininas continuam a orientar a mulher sobre o comportamento desejado pelos homens, com matérias do tipo “Enlouqueça seu homem na cama” e etc. Não tenho nada contra enlouquecer seu homem na cama, mas vocês irão concordar comigo que não existem matérias desse tipo nas revistas masculinas. Muito pelo contrário, nas revistas masculinas o foco é o mesmo: o homem e seu prazer. Cabe à mulher procurar satisfazê-lo plenamente, com o risco de ser trocada por outra mais competente no setor.

As revistas femininas continuam ditando padrões para as mulheres: se antes deveriam ser boas esposas, hoje devem ser bonitas, ter um corpo sarado, satisfazer seu homem e... comprar. Comprar muito. Comprar coisas que a façam parecer poderosa e vencedora como um homem. E ficamos cada vez mais burras. Para comprar mais revistas, talvez.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Free books

O artista nova-iorquino Eric Doeringer apresenta uma instalação na 14ª Avenida, em Nova Iorque. Trata-se de uma caixa de papelão onde se lê “Free Books” (livros de graça). Dentro da caixa, diversos livros que os pedestres podem levar, se desejarem.

Segundo informações do jornalista Marcelo Armôa, algo semelhante já foi realizado no Brasil.

Eric Doeringer analisa que, toda vez que deturpamos o sentido corriqueiro das coisas, há arte. Dessa forma, o artista retira a última página de cada livro, fazendo com que ele perca sua função.

Ora, ora... Primeiramente: não vi quais livros Doeringer colocou nas caixas, mas será que ele não considera Literatura como arte? Segundo: se eu deixo um prato sujo em cima da mesa, ele já perdeu sua função, pois já me alimentei, e não está onde deveria (na pia, por exemplo, para ser lavado). Isso faz com que o prato sujo se torne arte?

Me lembro de um engenheiro químico, dando esta mesma definição para o que seria lixo: algo que não está sendo usado para os fins a que se destina.

Realmente, os livros podem até ser de graça. Já idéias acho que custam um pouco mais caro.