quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Crime e castigo

Até o final desta semana estou de férias. Mas, por incrível que pareça, ao invés de fazer algo que preste nesse tempo, ando me martirizando porque as férias estão no final. Fico pensando que eu deveria estar fazendo isto ou aquilo para aproveitar melhor o tempo. Mas férias não seriam justamente para não se fazer nada? Ou melhor: para ocupar o tempo da forma que se deseja, seja viajando, gastando dinheiro, lendo, dormindo, comendo ou simplesmente não fazendo nada?

Deve ser meu lado judaico-cristão, que se compraz muito mais em se autoflagelar do que em se divertir. Diversão, para mim, sempre implica uma certa dose de culpa. Se compro algo há muito desejado, fico antecipando os possíveis problemas financeiros que a nova dívida acarretará -- mesmo que eu tenha feito os cálculos, como uma boa judia que se preze, e percebido que não haverá nenhum problema financeiro decorrente da referida compra.

Este mês fiz uma viagem maravilhosa com meu marido (que extraordinariamente conseguiu dez dias de folga). Não menos extraordinariamente me peguei pensando que o avião cairia – na viagem de ida, obviamente, assim o sofrimento seria maior porque nem teríamos chegado a gozar das famigeradas férias.

Acho que preciso estudar um pouco mais sobre a culpa. Porque a culpa, assim como o medo, não altera praticamente em nada o curso dos acontecimentos. O fato de alguém ficar se martirizando não irá fazer com que a pessoa seja melhor – ou pior! Talvez seja simplesmente uma forma de ocupar o tempo...

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