...o meu deve ser um dia inteiro ouvindo funk carioca enquanto tento ler um livro.
Mas esta semana estava vendo o programa Ensaio. O programa foi criado por Fernando Faro e é transmitido pela TV Cultura desde a década de 1970. Tem um clima intimista e até meio intimidador, porque não tem cenário e não se ouvem as perguntas, só as respostas do entrevistado, usualmente um grande nome da Música Popular Brasileira. O entrevistador não aparece, nem sua voz. Há apenas o silêncio, indício contraditório de sua presença.
Aí tive um insight: esse deve o ser o inferno de entrevistadores como Jô Soares e Marília Gabriela, ambos desesperados por provar ao grande público a superioridade de sua inteligência em relação à do pobre entrevistado. Esquecem-se que o público liga a televisão para ver precisamente o famigerado entrevistado. Marília Gabriela, depois que descobriu a psicanálise ficou chata como todo psicanalista, cometendo, invariavelmente, a indelicadeza de analisar o entrevistado (comprovando absoluta falta de ética nesse ponto).
Nada mais avesso a esse tipo de entrevistador que o programa Ensaio, no qual, quase como um interrogatório, não se vê o rosto do interrogador. Ele poderia mesmo estar ausente. Ou até dormindo, para nos manter nos clichês de psicanalista...
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
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