...o meu deve ser um dia inteiro ouvindo funk carioca enquanto tento ler um livro.
Mas esta semana estava vendo o programa Ensaio. O programa foi criado por Fernando Faro e é transmitido pela TV Cultura desde a década de 1970. Tem um clima intimista e até meio intimidador, porque não tem cenário e não se ouvem as perguntas, só as respostas do entrevistado, usualmente um grande nome da Música Popular Brasileira. O entrevistador não aparece, nem sua voz. Há apenas o silêncio, indício contraditório de sua presença.
Aí tive um insight: esse deve o ser o inferno de entrevistadores como Jô Soares e Marília Gabriela, ambos desesperados por provar ao grande público a superioridade de sua inteligência em relação à do pobre entrevistado. Esquecem-se que o público liga a televisão para ver precisamente o famigerado entrevistado. Marília Gabriela, depois que descobriu a psicanálise ficou chata como todo psicanalista, cometendo, invariavelmente, a indelicadeza de analisar o entrevistado (comprovando absoluta falta de ética nesse ponto).
Nada mais avesso a esse tipo de entrevistador que o programa Ensaio, no qual, quase como um interrogatório, não se vê o rosto do interrogador. Ele poderia mesmo estar ausente. Ou até dormindo, para nos manter nos clichês de psicanalista...
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Crime e castigo
Até o final desta semana estou de férias. Mas, por incrível que pareça, ao invés de fazer algo que preste nesse tempo, ando me martirizando porque as férias estão no final. Fico pensando que eu deveria estar fazendo isto ou aquilo para aproveitar melhor o tempo. Mas férias não seriam justamente para não se fazer nada? Ou melhor: para ocupar o tempo da forma que se deseja, seja viajando, gastando dinheiro, lendo, dormindo, comendo ou simplesmente não fazendo nada?
Deve ser meu lado judaico-cristão, que se compraz muito mais em se autoflagelar do que em se divertir. Diversão, para mim, sempre implica uma certa dose de culpa. Se compro algo há muito desejado, fico antecipando os possíveis problemas financeiros que a nova dívida acarretará -- mesmo que eu tenha feito os cálculos, como uma boa judia que se preze, e percebido que não haverá nenhum problema financeiro decorrente da referida compra.
Este mês fiz uma viagem maravilhosa com meu marido (que extraordinariamente conseguiu dez dias de folga). Não menos extraordinariamente me peguei pensando que o avião cairia – na viagem de ida, obviamente, assim o sofrimento seria maior porque nem teríamos chegado a gozar das famigeradas férias.
Acho que preciso estudar um pouco mais sobre a culpa. Porque a culpa, assim como o medo, não altera praticamente em nada o curso dos acontecimentos. O fato de alguém ficar se martirizando não irá fazer com que a pessoa seja melhor – ou pior! Talvez seja simplesmente uma forma de ocupar o tempo...
Deve ser meu lado judaico-cristão, que se compraz muito mais em se autoflagelar do que em se divertir. Diversão, para mim, sempre implica uma certa dose de culpa. Se compro algo há muito desejado, fico antecipando os possíveis problemas financeiros que a nova dívida acarretará -- mesmo que eu tenha feito os cálculos, como uma boa judia que se preze, e percebido que não haverá nenhum problema financeiro decorrente da referida compra.
Este mês fiz uma viagem maravilhosa com meu marido (que extraordinariamente conseguiu dez dias de folga). Não menos extraordinariamente me peguei pensando que o avião cairia – na viagem de ida, obviamente, assim o sofrimento seria maior porque nem teríamos chegado a gozar das famigeradas férias.
Acho que preciso estudar um pouco mais sobre a culpa. Porque a culpa, assim como o medo, não altera praticamente em nada o curso dos acontecimentos. O fato de alguém ficar se martirizando não irá fazer com que a pessoa seja melhor – ou pior! Talvez seja simplesmente uma forma de ocupar o tempo...
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
$.O.$. Saúde
Assisti ontem o documentário $.O.$. Saúde (Sicko), de Michael Moore. Sicko foi lançado nos Estados Unidos em 2007 e no Brasil no primeiro semestre de 2008. O documentário escancara os problemas relativos aos planos de saúde nos Estados Unidos. Além de não serem acessíveis à grande maioria da população, há critérios de eliminação ainda para aqueles que podem pagar. Por exemplo: ter uma doença pré-existente ou ter sido submetido a algum tipo de tratamento no passado pode ser considerado fator de “não-elegibilidade” para contratar um plano de saúde. Mesmo que a pessoa esteja disposta a pagar!! Sem plano de saúde, a pessoa poderá simplesmente ir à bancarrota com os custos de um tratamento corriqueiro.
Moore demonstra como e quando os planos de saúde tornaram-se privados e foi eliminado o sistema de saúde público em seu país. Também faz uma retrospectiva das tentativas de se reestruturar o sistema público (lá chamado de socializado). É interessante notar o verdadeiro pavor que a simples palavra socializado causa nos americanos, especialmente os que estão no poder. Uma verdadeira força-tarefa é utilizada para atacar a proposta.
Para desmistificar a relação que os americanos estabelecem entre socializado e socialista/comunista, Moore vai ao Canadá, à Inglaterra e à França para comparar seus sistemas de saúde com o norte-americano. Para finalizar, vai à Cuba.
É bom para pensarmos também no nosso próprio sistema de saúde e em que ponto do caminho estamos. Há interesse por parte dos planos de saúde que o sistema público seja satisfatório? Há interesse em que sejam divulgadas iniciativas públicas que dão certo?
Há quem critique Michael Moore, dizendo que sua visão de mundo é exagerada e fantasiosa. Mas considero seus documentários algo essencial para quem deseja compreender um pouco a nação norte-americana. Além disso, o cineasta consegue tratar de temas altamente relevantes sem se tornar enfadonho (o que é uma bênção). Assista os documentários Fahrenheit 9/11 e Tiros em Columbine, do mesmo autor.
Para quem lê em inglês, pode conferir mais no site: http://www.michaelmoore.com/
Ao pé da página, há um contador registrando os números referentes à Guerra no Iraque: soldados americanos mortos, soldados americanos feridos, mortes de civis iraquianos e mortes excedentes de iraquianos (mortes que não teriam ocorrido se os norte-americanos não tivessem invadido o Iraque).
Moore demonstra como e quando os planos de saúde tornaram-se privados e foi eliminado o sistema de saúde público em seu país. Também faz uma retrospectiva das tentativas de se reestruturar o sistema público (lá chamado de socializado). É interessante notar o verdadeiro pavor que a simples palavra socializado causa nos americanos, especialmente os que estão no poder. Uma verdadeira força-tarefa é utilizada para atacar a proposta.
Para desmistificar a relação que os americanos estabelecem entre socializado e socialista/comunista, Moore vai ao Canadá, à Inglaterra e à França para comparar seus sistemas de saúde com o norte-americano. Para finalizar, vai à Cuba.
É bom para pensarmos também no nosso próprio sistema de saúde e em que ponto do caminho estamos. Há interesse por parte dos planos de saúde que o sistema público seja satisfatório? Há interesse em que sejam divulgadas iniciativas públicas que dão certo?
Há quem critique Michael Moore, dizendo que sua visão de mundo é exagerada e fantasiosa. Mas considero seus documentários algo essencial para quem deseja compreender um pouco a nação norte-americana. Além disso, o cineasta consegue tratar de temas altamente relevantes sem se tornar enfadonho (o que é uma bênção). Assista os documentários Fahrenheit 9/11 e Tiros em Columbine, do mesmo autor.
Para quem lê em inglês, pode conferir mais no site: http://www.michaelmoore.com/
Ao pé da página, há um contador registrando os números referentes à Guerra no Iraque: soldados americanos mortos, soldados americanos feridos, mortes de civis iraquianos e mortes excedentes de iraquianos (mortes que não teriam ocorrido se os norte-americanos não tivessem invadido o Iraque).
sábado, 24 de janeiro de 2009
God bless America!
Vi em uma reportagem na televisão que Barack Obama precisou entrar na justiça para ter o direito de mencionar Deus em seu discurso de posse. Longe de problemas raciais, desta vez são os ateus, que se sentiram agredidos por ele utilizar a palavra Deus em seus discursos durante a campanha. Como medida preventiva, entraram na justiça para impedir o uso da palavra, considerada ofensiva por eles, algo que os exclui.
Sinceramente... (eu poderia ficar o resto da vida colocando três pontinhos agora...). Que falta do quê fazer, não? Parece que os ânimos andam muito acirrados. No Oriente, as guerras têm motivos santos e prometem a eternidade para quem matar em seu santo nome. No Iraque, a "luta pela democracia" também virou quase uma guerra santa, com os americanos jurando libertar o povo iraquiano de todo aquele peso de suas reservas de petróleo... E agora vêm os ateus, com sua não menos raivosa "guerra santa". Eles que me perdoem o termo, se sentirem ofendidos, mas sua luta aguerrida faria inveja a qualquer adorador de Alah que se preze.
Talvez essa ressurreição do ateísmo pode ter a ver com o dólar, porque não adiantou muito eles acreditarem em Deus (como está inscrito na moeda) mas confiarem em George Bush. Deus não apenas não impediu a crise como assiste a tudo como ar impassível.
Sinceramente... (eu poderia ficar o resto da vida colocando três pontinhos agora...). Que falta do quê fazer, não? Parece que os ânimos andam muito acirrados. No Oriente, as guerras têm motivos santos e prometem a eternidade para quem matar em seu santo nome. No Iraque, a "luta pela democracia" também virou quase uma guerra santa, com os americanos jurando libertar o povo iraquiano de todo aquele peso de suas reservas de petróleo... E agora vêm os ateus, com sua não menos raivosa "guerra santa". Eles que me perdoem o termo, se sentirem ofendidos, mas sua luta aguerrida faria inveja a qualquer adorador de Alah que se preze.
Talvez essa ressurreição do ateísmo pode ter a ver com o dólar, porque não adiantou muito eles acreditarem em Deus (como está inscrito na moeda) mas confiarem em George Bush. Deus não apenas não impediu a crise como assiste a tudo como ar impassível.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
Nada mais fora de moda do que escrever para si mesmo. Eu nunca liguei pra moda, mesmo... A moda hoje não é o privado, é o público. De que adianta ter uma depressão se ninguém sabe? De que adianta ter perdido o namorado se ninguém está presenciando sua imensa dor, para se obter ganhos com a pena alheia...? É como a famosa piada da Sharon Stone (de quê adiantar estar com ela se ninguém sabe, etc, etc, etc)!
Talvez vivamos num mundo de miseráveis. Já dizia Mario Quintana, “o que mata um jardim é esse olhar de quem por ele passa indiferente”. Pois as pessoas estão morrendo. De tédio, de futilidade, de egoísmo, de absurdez.
Bem, me refiro às pessoas pequeno-burguesas, como eu. Porque grande parte do mundo está lutando para ganhar a vida, pagar as contas, conseguir uma vaga para os filhos na creche mais próxima, correndo para pegar o ônibus e conseguir um lugar sentado: ufa! Trinta minutos sentado antes de pegar no batente pode ser uma verdadeira glória...
Infelizmente há as velhinhas ― ah, as velhinhas... onde vão com tanta pressa? Por que precisam pegar o primeiro ônibus da manhã, junto com toda a massa de trabalhadores e estudantes cansados e exaltados e exasperados? Velhinhas e massa se olham com olhar de ódio. A massa pensa: “Por que não fica essa dona em casa dormindo pelo menos mais trinta minutos???? Por que não pega o próximo ônibus???? Decerto pega o primeiro ônibus só pra ter o gostinho de tirar o assento de quem precisa trabalhar... Malditas velhinhas!”
As velhinhas pensam: ...... (......)
Desisto! Nunca conseguirei imaginar o que pensam as velhinhas que pegam o primeiro ônibus! Decerto querem se vingar das velhinhas de sua época, que pegavam o primeiro ônibus só para tirar o assento do trabalhador cansado! Ou simplesmente querem ter a ilusão de que ainda precisam acordar cedo para conseguir pegar o ônibus. A ilusão de que ainda fazem parte da massa de pessoas que têm horários e razão para viver (nem que seja um livro-ponto e um chefe insuportável).
E se eu tenho tempo para não apenas pensar mas para escrever essa baboseira toda, talvez eu, assim como as velhinhas, não faça parte da massa que precisa acordar cedo e correr para pegar o ônibus. Talvez esteja num lugar, sentada há muito tempo, vendo a paisagem passar e deixar os passageiros nos pontos de ônibus, exasperados de mais espera.
Talvez vivamos num mundo de miseráveis. Já dizia Mario Quintana, “o que mata um jardim é esse olhar de quem por ele passa indiferente”. Pois as pessoas estão morrendo. De tédio, de futilidade, de egoísmo, de absurdez.
Bem, me refiro às pessoas pequeno-burguesas, como eu. Porque grande parte do mundo está lutando para ganhar a vida, pagar as contas, conseguir uma vaga para os filhos na creche mais próxima, correndo para pegar o ônibus e conseguir um lugar sentado: ufa! Trinta minutos sentado antes de pegar no batente pode ser uma verdadeira glória...
Infelizmente há as velhinhas ― ah, as velhinhas... onde vão com tanta pressa? Por que precisam pegar o primeiro ônibus da manhã, junto com toda a massa de trabalhadores e estudantes cansados e exaltados e exasperados? Velhinhas e massa se olham com olhar de ódio. A massa pensa: “Por que não fica essa dona em casa dormindo pelo menos mais trinta minutos???? Por que não pega o próximo ônibus???? Decerto pega o primeiro ônibus só pra ter o gostinho de tirar o assento de quem precisa trabalhar... Malditas velhinhas!”
As velhinhas pensam: ...... (......)
Desisto! Nunca conseguirei imaginar o que pensam as velhinhas que pegam o primeiro ônibus! Decerto querem se vingar das velhinhas de sua época, que pegavam o primeiro ônibus só para tirar o assento do trabalhador cansado! Ou simplesmente querem ter a ilusão de que ainda precisam acordar cedo para conseguir pegar o ônibus. A ilusão de que ainda fazem parte da massa de pessoas que têm horários e razão para viver (nem que seja um livro-ponto e um chefe insuportável).
E se eu tenho tempo para não apenas pensar mas para escrever essa baboseira toda, talvez eu, assim como as velhinhas, não faça parte da massa que precisa acordar cedo e correr para pegar o ônibus. Talvez esteja num lugar, sentada há muito tempo, vendo a paisagem passar e deixar os passageiros nos pontos de ônibus, exasperados de mais espera.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Post-election blues (Depressão pós-eleição)
É pós-eleição, não pós-ereção (no caso dessa última, a depressão vem pela ausência!).
Em dezembro vi uma matéria na CNN falando do sentimento dos americanos, após um longo processo de primárias e escolha do candidato a presidência dentro do próprio partido para, somente depois disso, iniciar-se a disputa com o (não menos real) adversário de outro partido.
Ao todo, foram dois anos. Uma das entrevistadas conta que percorreu o país de carro, fazendo campanha para Barack Obama como voluntária. Ela se diz deprimida porque, durante a campanha, havia um sentimento de nação, de união em torno de um ideal, que se esvaiu após a eleição. O final da matéria ironizava que as pessoas deveriam encontrar um hobby, ou algo assim.
Acho que aqui no Brasil, nós temos a depressão pré-eleição, um tipo de TPM, só de pensar no horário político que atrapalha a programação de TV daqueles que não têm TV por assinatura. Além disso, é um desfile de gente mal preparada querendo se dar bem. E mais: tudo com o nosso dinheiro! É como dar seu cartão de crédito com senha e tudo para seu filho adolescente passar o sábado no shopping...
De qualquer forma, os estadunidenses terão a oportunidade de tomar uma dose de Prozac no próximo dia 20, com a posse de seu novo presidente. Pode ser que consigam reavivar seu “sentimento de nação”. Yes, they can!
Em dezembro vi uma matéria na CNN falando do sentimento dos americanos, após um longo processo de primárias e escolha do candidato a presidência dentro do próprio partido para, somente depois disso, iniciar-se a disputa com o (não menos real) adversário de outro partido.
Ao todo, foram dois anos. Uma das entrevistadas conta que percorreu o país de carro, fazendo campanha para Barack Obama como voluntária. Ela se diz deprimida porque, durante a campanha, havia um sentimento de nação, de união em torno de um ideal, que se esvaiu após a eleição. O final da matéria ironizava que as pessoas deveriam encontrar um hobby, ou algo assim.
Acho que aqui no Brasil, nós temos a depressão pré-eleição, um tipo de TPM, só de pensar no horário político que atrapalha a programação de TV daqueles que não têm TV por assinatura. Além disso, é um desfile de gente mal preparada querendo se dar bem. E mais: tudo com o nosso dinheiro! É como dar seu cartão de crédito com senha e tudo para seu filho adolescente passar o sábado no shopping...
De qualquer forma, os estadunidenses terão a oportunidade de tomar uma dose de Prozac no próximo dia 20, com a posse de seu novo presidente. Pode ser que consigam reavivar seu “sentimento de nação”. Yes, they can!
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Sugestões de blogs
Dois blogs interessantes: Comédia da vida aleijada e Assim como você. O primeiro é escrito por Juliana Carvalho, de Porto Alegre, que também tem um programa da TV Assembléia de lá, o Faça a diferença. O segundo, assinado por Jairo Marques, sul-mato-grossense radicado em Sampa e jornalista da Folha de São Paulo. Ambos falam das situações vivenciadas por pessoas por deficiência no cotidiano, de uma forma realista, sem pieguice ou autopiedade.
Ambos blogueiros apresentam deficiência física que, entre as deficiências, talvez seja a menos incapacitante, porque limita os movimentos. Convenhamos: para a minha chefe, não faz muita diferença se eu vou me levantar ou não. De preferência não.
Claro que não estou fazendo a apologia da deficiência física, mas as deficiências sensoriais (auditivas e visuais, muitas vezes combinadas) e a deficiência mental podem ser mais limitantes talvez. Não ouvir um som, não ver as cores... Além disso, não conseguir compreender as coisas que a cercam pode ser muito excludente para uma pessoa vivendo num mundo baseado na informação e na capacidade de usá-la.
Mas os blogs sugeridos acima têm o mérito de serem escritos por pessoas com deficiência, ao invés de serem escritos sobre elas. Uma oportunidade para conhecer a realidade a partir de dentro.
Ambos blogueiros apresentam deficiência física que, entre as deficiências, talvez seja a menos incapacitante, porque limita os movimentos. Convenhamos: para a minha chefe, não faz muita diferença se eu vou me levantar ou não. De preferência não.
Claro que não estou fazendo a apologia da deficiência física, mas as deficiências sensoriais (auditivas e visuais, muitas vezes combinadas) e a deficiência mental podem ser mais limitantes talvez. Não ouvir um som, não ver as cores... Além disso, não conseguir compreender as coisas que a cercam pode ser muito excludente para uma pessoa vivendo num mundo baseado na informação e na capacidade de usá-la.
Mas os blogs sugeridos acima têm o mérito de serem escritos por pessoas com deficiência, ao invés de serem escritos sobre elas. Uma oportunidade para conhecer a realidade a partir de dentro.
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Dia de Reis
Hoje é 6 de janeiro, conhecido como Dia de Reis. Em alguns países, como Espanha, por exemplo, hoje é o dia da troca de presentes que, aqui no Brasil, acontece no dia de Natal (ou na véspera à noite).
Fiquei sabendo que os Reis Magos eram, na verdade, uma espécie de astrônomos da antiguidade, pessoas que observavam o céu, os astros e as estrelas. De acordo com a sabedoria daquela época, para cada rei que nascia, surgia no céu uma estrela. Os astrônomos viram surgir no céu uma nova estrela e forma em busca do novo rei. Primeiramente foram a Jerusalém, pensando que deveria ser filho de Herodes. Mas a estrela desapareceu quando estavam lá, sinalizando que não estava ali o novo rei. Quando os magos saíram da cidade, a estrela reapareceu e eles a seguiram.
Mas, para nós mortais, hoje é dia de guardar os enfeites de Natal e desmontar a árvore. Acho que dá uma certa depressão fazer isso. É como se decretássemos o fim do Natal, da época de ser criança e voltássemos para nossas vidas de adultos. E está decretado também o começo do ano (apesar de alguns cariocas dizerem que isso só acontece depois do Carnaval, o restante do Brasil já estava trabalhando muito antes...).
Fiquei sabendo que os Reis Magos eram, na verdade, uma espécie de astrônomos da antiguidade, pessoas que observavam o céu, os astros e as estrelas. De acordo com a sabedoria daquela época, para cada rei que nascia, surgia no céu uma estrela. Os astrônomos viram surgir no céu uma nova estrela e forma em busca do novo rei. Primeiramente foram a Jerusalém, pensando que deveria ser filho de Herodes. Mas a estrela desapareceu quando estavam lá, sinalizando que não estava ali o novo rei. Quando os magos saíram da cidade, a estrela reapareceu e eles a seguiram.
Mas, para nós mortais, hoje é dia de guardar os enfeites de Natal e desmontar a árvore. Acho que dá uma certa depressão fazer isso. É como se decretássemos o fim do Natal, da época de ser criança e voltássemos para nossas vidas de adultos. E está decretado também o começo do ano (apesar de alguns cariocas dizerem que isso só acontece depois do Carnaval, o restante do Brasil já estava trabalhando muito antes...).
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Chique é ter saúde mental!
Estava dando uma olhada em algumas seções da Folha online e eis que me deparo com a seguinte pergunta, que era a chamada da matéria: “Terminar ou continuar um namoro com problemas?” Para o meu espanto, a chamada era do blog de Márcia Zoladz. A coluna: Etiquetésima, ou seja, uma seção cujo objetivo é esclarecer dúvidas sobre etiqueta, ceremonial e boas maneiras.
Felizmente, a própria colunista deu um toque muito sábio para a moça: disse que não se tratava de uma questão de etiqueta ou boas maneiras, mas de uma decisão importante a respeito da vida pessoal de cada um. A colunista disse que costumava receber perguntas consultando sobre o mesmo assunto.
Quando será que namoro ou casamento falido virou problema de etiqueta? Sim, porque, ao menos para os autores das perguntas, trata-se exatamente disso. Há uma preocupação tão grande em estar de acordo com as normas, que os relacionamentos ficam aprisionados nessas regras. Aliás, não estar namorando ou casado com alguém já estar fora da norma.
Não deixa de ser intrigante que alguém escreva para um veículo de comunicação nacional para expor uma dúvida tão particular, pertencente ao ramo privado de sua vida (partindo do pressuposto que alguém realmente escreveu). Num dos casos citados, de namorado ciumento, até já não é tão privado assim, porque alguns bafões costumam ser públicos...
Mas acho que chique mesmo é conseguir perguntar a si mesmo por que motivo é preciso sustentar um relacionamento falido...
Felizmente, a própria colunista deu um toque muito sábio para a moça: disse que não se tratava de uma questão de etiqueta ou boas maneiras, mas de uma decisão importante a respeito da vida pessoal de cada um. A colunista disse que costumava receber perguntas consultando sobre o mesmo assunto.
Quando será que namoro ou casamento falido virou problema de etiqueta? Sim, porque, ao menos para os autores das perguntas, trata-se exatamente disso. Há uma preocupação tão grande em estar de acordo com as normas, que os relacionamentos ficam aprisionados nessas regras. Aliás, não estar namorando ou casado com alguém já estar fora da norma.
Não deixa de ser intrigante que alguém escreva para um veículo de comunicação nacional para expor uma dúvida tão particular, pertencente ao ramo privado de sua vida (partindo do pressuposto que alguém realmente escreveu). Num dos casos citados, de namorado ciumento, até já não é tão privado assim, porque alguns bafões costumam ser públicos...
Mas acho que chique mesmo é conseguir perguntar a si mesmo por que motivo é preciso sustentar um relacionamento falido...
domingo, 4 de janeiro de 2009
Pomba da paz
Acho que os israelenses têm algum problema auditivo e ouvem “Bomba da paz”. E lá vamos nós com as famigeradas Guerras Santas, que são mais demoníacas que qualquer outra guerra, porque as criaturas ainda acham que estão fazendo uma grande coisa. E qualquer pessoa que se atreva a discordar, será acusada de anti-semita, ou anti-islã, ou anti-sei-lá-o-quê.
Na verdade não somos anti-, somos ante-. Estamos à frente desse tipo de pensamento baseado no tacape. Acho que desde que o ser humano desenvolveu a capacidade de se expressar por meio da linguagem, separou-se dos animais na linha evolutiva. Mas sempre há gente querendo nos convencer de que Darwin não só estava certo como há diversas espécies de homo sapiens: o homo insapiens, o homo tacapens, o homo fanaticus e etc.
E infelizmente a humanidade começa o ano de 2009 com mais algumas guerras a computar no nosso boletim... Nota baixa pra nós.
Na verdade não somos anti-, somos ante-. Estamos à frente desse tipo de pensamento baseado no tacape. Acho que desde que o ser humano desenvolveu a capacidade de se expressar por meio da linguagem, separou-se dos animais na linha evolutiva. Mas sempre há gente querendo nos convencer de que Darwin não só estava certo como há diversas espécies de homo sapiens: o homo insapiens, o homo tacapens, o homo fanaticus e etc.
E infelizmente a humanidade começa o ano de 2009 com mais algumas guerras a computar no nosso boletim... Nota baixa pra nós.
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
Discordância ortográfica
Dia 1º de janeiro entrou em vigor o acordo ortográfico entre os países de Língua Portuguesa. Dizem que desde 1986 o projeto já existia, mas Portugal se recusava a assinar. O objetivo da reforma é unificar as grafias da Língua Portuguesa falada em diversos países.
A Academia Brasileira de Letras se manifestou a favor da mudança, porque, segundo Evanildo Bechara, a Língua Portuguesa é a única em que há duas grafias corretas para a mesma língua. Não deve ser a única, a língua inglesa também oferece tais surpresas.
Quem deve estar achando o máximo são os donos de editoras que fornecem livros didáticos às escolas públicas, financiados pelo MEC. Os manuais didáticos, em sua versão reutilizável, poderiam ser usados por pelo menos três anos, por alunos diferentes. Graças à reforma ortográfica, todos os livros terão que ser reimpressos. Não é maravilhoso?
O famoso professor Pasquale Cipro Neto não é favorável às alterações. Muitos escritores renomados, como João Ubaldo Ribeiro, também são contrários à reforma, rebatendo os argumentos de que as modificações na língua auxiliariam o Brasil a ocupar seu lugar no cenário internacional. Afirma ele que não são essas mudanças que alterariam os ventos da economia para o Brasil.
Não sei qual seria nosso lugar no cenário internacional, acho que esse tal cenário parece mais uma peça de teatro para a qual já venderam todos os ingressos — e bem caro. Ficamos nas mãos dos cambistas porque, como diria Cazuza, não nos convidaram pra essa festa pobre... (que de pobre não tem nada).
Não tenho nada contra os portugueses (muito pelo contrário, acho-os bem aprazíveis e defendo até mesmo que cada mulher deveria ter o seu...). Só que, no presente caso, acho que acabamos novamente parecendo uma colônia da matriz real. Vejam só: a palavra ideia não terá mais acento (avisem o corretor ortográfico do Word, ele fica corrigindo insistentemente...). Pois bem. O que irá diferenciar ideia grafado dessa forma e a palavra teia, por exemplo? Um é um ditongo aberto; o outro, um ditongo fechado. Essa era a justificativa para a primeira palavra ser acentuada e a segunda não. Ou será que vamos ter que começar a falar com aquele sotaque português que elimina a diferença na pronúncia?
E qual seria a diferença entre linguiça e enguiça? Como explicar para uma criança que está sendo alfabetizada que se escreve igual, mas se pronuncia de forma diferente? Talvez uma boa explicação seria dizer à pobre aprendiz iniciante da Língua Portuguesa escrita que antigamente éramos uma colônia de Portugal e agora, 500 anos depois, nos desenvolvemos tanto que voltamos a ser (acho que deu saudade...).
Vai um ingresso aí, tio? Na fila da reforma ou contra-reforma?
P.S.: As regras antigas continuarão sendo aceitas até 2012. Acho que vou esperar o preço do ingresso baixar.
P.S.2: Tô me sentindo muito velha... Além de ter nascido no século passado, daqui a pouco vão me dizer: Ah, você é tempo em que se usava trema!
A Academia Brasileira de Letras se manifestou a favor da mudança, porque, segundo Evanildo Bechara, a Língua Portuguesa é a única em que há duas grafias corretas para a mesma língua. Não deve ser a única, a língua inglesa também oferece tais surpresas.
Quem deve estar achando o máximo são os donos de editoras que fornecem livros didáticos às escolas públicas, financiados pelo MEC. Os manuais didáticos, em sua versão reutilizável, poderiam ser usados por pelo menos três anos, por alunos diferentes. Graças à reforma ortográfica, todos os livros terão que ser reimpressos. Não é maravilhoso?
O famoso professor Pasquale Cipro Neto não é favorável às alterações. Muitos escritores renomados, como João Ubaldo Ribeiro, também são contrários à reforma, rebatendo os argumentos de que as modificações na língua auxiliariam o Brasil a ocupar seu lugar no cenário internacional. Afirma ele que não são essas mudanças que alterariam os ventos da economia para o Brasil.
Não sei qual seria nosso lugar no cenário internacional, acho que esse tal cenário parece mais uma peça de teatro para a qual já venderam todos os ingressos — e bem caro. Ficamos nas mãos dos cambistas porque, como diria Cazuza, não nos convidaram pra essa festa pobre... (que de pobre não tem nada).
Não tenho nada contra os portugueses (muito pelo contrário, acho-os bem aprazíveis e defendo até mesmo que cada mulher deveria ter o seu...). Só que, no presente caso, acho que acabamos novamente parecendo uma colônia da matriz real. Vejam só: a palavra ideia não terá mais acento (avisem o corretor ortográfico do Word, ele fica corrigindo insistentemente...). Pois bem. O que irá diferenciar ideia grafado dessa forma e a palavra teia, por exemplo? Um é um ditongo aberto; o outro, um ditongo fechado. Essa era a justificativa para a primeira palavra ser acentuada e a segunda não. Ou será que vamos ter que começar a falar com aquele sotaque português que elimina a diferença na pronúncia?
E qual seria a diferença entre linguiça e enguiça? Como explicar para uma criança que está sendo alfabetizada que se escreve igual, mas se pronuncia de forma diferente? Talvez uma boa explicação seria dizer à pobre aprendiz iniciante da Língua Portuguesa escrita que antigamente éramos uma colônia de Portugal e agora, 500 anos depois, nos desenvolvemos tanto que voltamos a ser (acho que deu saudade...).
Vai um ingresso aí, tio? Na fila da reforma ou contra-reforma?
P.S.: As regras antigas continuarão sendo aceitas até 2012. Acho que vou esperar o preço do ingresso baixar.
P.S.2: Tô me sentindo muito velha... Além de ter nascido no século passado, daqui a pouco vão me dizer: Ah, você é tempo em que se usava trema!
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