Estava lendo um artigo intitulado “Dor do parto oferece vantagens”. Posteriormente, o próprio jornal trazia uma enquete online:
DOR NO PARTO
Em artigo publicado em revista científica, obstetra afirma que a dor durante o parto traz vantagens para mãe e filho. Qual sua opinião sobre parto com dor?
E então cada um poderia votar. As respostas eram:
Sou mulher e a favor das dores no parto
Sou mulher e contra as dores no parto
Sou homem e a favor das dores no parto
Sou homem e contra as dores no parto
Achei a enquete uma pérola da manipulação... Quem, em sã consciência, votaria “sou a favor da dor”? Na verdade o que a matéria deveria estar divulgando é que o parto normal é um processo no qual todo o corpo está direcionado para aquela atividade, e tem seus mecanismos de compensação em relação à dor, que também tem seu papel. O objetivo do parto não é sentir dor, e sim trazer uma criança ao mundo! A dor vem da dilatação dos ossos da bacia, necessária para a passagem do bebê.
Talvez hoje estejamos vivendo um momento histórico de assepsia total e baixíssima tolerância à frustração. Aliado a isso, temos obsessão pelo controle de todos os eventos à nossa volta. Obviamente a indústria farmacêutica, os hospitais e os planos de saúde não ficam alheios a isso. Fazem de tudo para melhor nos atender... Com a nossa anuência, é claro. Aliás, tais indústrias costumam fazer propagandas nos jornais para nos oferecer seus serviços...
Pensemos bem: o que é melhor? Contratar um anestesista, marcar a cesárea e agendar a data do nascimento do bebê ou deixar o médico de plantão, impossibilitado de fazer sua viagem no feriado, esperando a hora certa? É, Perls, é difícil não apressar o rio nesses tempos de barbárie. Mas a barbárie é sem dor. Tome mais um soma.
terça-feira, 14 de julho de 2009
terça-feira, 23 de junho de 2009
Roupa nova
Pois é... Mudei o layout do blog... É que vocês não sabem o que me aconteceu. Um colega de serviço super-hiper-mala fez um cursinho de informática e no trabalho final fez um blog com o mesmo layout que eu usava... Fiquei p. da cara, com aquela sensação de chegar na festa e aquela chata estar com um vestido igual ao seu. O que você faria numa situação dessas? Trocava de vestido, óbvio! Mesmo que o vestido novo não seja tão bonitinho, não dá pra ficar com a mesma roupa de um mala, né??????
terça-feira, 2 de junho de 2009
Rotina de criança moderna
Estava lendo uma matéria sobre guarda compartilhada, quando o casal se separa e os filhos ficam alguns dias com o pai, outros dias com a mãe.
Fiquei lembrando de uma amiga, orientadora educacional em uma escola, que foi chamada para solucionar um problema com um aluno. O mocinho estava sem o uniforme e não havia feito as tarefas daquele dia. Conversando com o menino, ele explicou que dormia às segundas, quartas e sextas na casa da mãe, e nos outros dias, na casa do pai. Terça-feira, ele havia ido à escola e o pai foi buscá-lo. Como o uniforme estava sujo, no dia seguinte foi com outra camisa, pois não tinha levado outro uniforme para a casa do pai. Da mesma forma, havia levado o material para as aulas de terça-feira, e não tinha levado os livros para fazer a tarefa do dia seguinte.
Confuso? Não, compreensível. Fiquei me perguntando se era realmente tarefa da própria criança pensar nessa organização. Ou será que ele tem que ter todos os livros em dobro, para que tenha um exemplar na casa da mãe e outro na casa do pai?
Continuando a ler a tal matéria da revista, fiquei me questionando sobre como fica a rotina dessas crianças... A Psicologia orienta que uma dose de rotina é muito importante para a criança, pois a auxilia a organizar sua noção de tempo, espaço, limites, ordem. Horários e locais próprios para dormir e fazer as refeições são considerados essenciais.
E aí me questiono ainda mais: diante da incapacidade de dois adultos conviverem e resolverem suas diferenças, obrigamos as crianças a abrirem mão de suas necessidades e se adaptarem à nossa forma de organização, seja bom para elas ou não. Vocês vão dizer que estou ficando velha. Talvez. Também não estou defendendo que se sustentem casamentos falidos. Mas duvido muito da sinceridade dessas propostas de guarda compartilhada. Para mim ficam soando como pensão dividida. Sim, porque ao invés de pagar a pensão integral, paga-se menos, pois a criança passa alguns dias com pai.
Mas talvez eu esteja errada, mesmo. Talvez esteja apenas ficando velha...
Fiquei lembrando de uma amiga, orientadora educacional em uma escola, que foi chamada para solucionar um problema com um aluno. O mocinho estava sem o uniforme e não havia feito as tarefas daquele dia. Conversando com o menino, ele explicou que dormia às segundas, quartas e sextas na casa da mãe, e nos outros dias, na casa do pai. Terça-feira, ele havia ido à escola e o pai foi buscá-lo. Como o uniforme estava sujo, no dia seguinte foi com outra camisa, pois não tinha levado outro uniforme para a casa do pai. Da mesma forma, havia levado o material para as aulas de terça-feira, e não tinha levado os livros para fazer a tarefa do dia seguinte.
Confuso? Não, compreensível. Fiquei me perguntando se era realmente tarefa da própria criança pensar nessa organização. Ou será que ele tem que ter todos os livros em dobro, para que tenha um exemplar na casa da mãe e outro na casa do pai?
Continuando a ler a tal matéria da revista, fiquei me questionando sobre como fica a rotina dessas crianças... A Psicologia orienta que uma dose de rotina é muito importante para a criança, pois a auxilia a organizar sua noção de tempo, espaço, limites, ordem. Horários e locais próprios para dormir e fazer as refeições são considerados essenciais.
E aí me questiono ainda mais: diante da incapacidade de dois adultos conviverem e resolverem suas diferenças, obrigamos as crianças a abrirem mão de suas necessidades e se adaptarem à nossa forma de organização, seja bom para elas ou não. Vocês vão dizer que estou ficando velha. Talvez. Também não estou defendendo que se sustentem casamentos falidos. Mas duvido muito da sinceridade dessas propostas de guarda compartilhada. Para mim ficam soando como pensão dividida. Sim, porque ao invés de pagar a pensão integral, paga-se menos, pois a criança passa alguns dias com pai.
Mas talvez eu esteja errada, mesmo. Talvez esteja apenas ficando velha...
sábado, 16 de maio de 2009
Já sou deste século
Eu já havia dito aqui que algumas vezes eu era criticada porque não tinha orkut. Pois é. Não tinha. Quem mais "tirava" com a minha antiguidade era uma amigona, que não tinha papas na língua. Nossa amizade nasceu da comunhão de sofrimentos e agruras durante o mestrado e cresceu diante de nossa mútua capacidade de falar o que pensávamos e de nosso sarcasmo. Era nossa maneira de respeitar nossas diferenças: ela, festeira, extrovertida, destemida, popular e trabalhadeira. Eu, introvertida, anti-social, mal-humorada, crítica e insubordinada. Mas amizade é isso mesmo. E hoje, dia em que ela decidiu fazer festa lá no céu, cada amigo fica por aqui sentindo sua falta. Como homenagem póstuma hoje finalmente fiz uma conta no orkut. Já sou desse século, viu???? Vá com Deus, amiga!
sábado, 11 de abril de 2009
Neuro-ótica
Estes últimos dias, estive pensando muito sobre o equilíbrio emocional. Eu tenho uma afinidade grande com os autores marxistas e me interesso pela questão da alienação, sobre como o modo de produção capitalista impede as pessoas de perceberem as relações de dominação a que estão sujeitas. Essa falta de percepção faz com que, normalmente, as pessoas analisem os fatos a partir do senso comum, permanecendo na alienação.
Mas esta semana estive pensando nos neuróticos graves. A questão deles é muito anterior a isso, muito mais primitiva, se falarmos de desenvolvimento humano. Os neuróticos em grau severo ainda estão enredados nas questões mais primárias do ser humano: competição entre irmãos, necessidade de ser aceito, dúvidas sobre o afeto dos pais, inibição para agir por temor de que sua ação seja julgada como sendo errada e, então, perca a aprovação necessária para sobreviver. Todos esses elementos fazem parte, digamos, de um psiquismo frágil, levando a pessoa a gastar uma grande quantidade de energia mental no cotidiano. O resultado é que pessoas assim costumam ter um grau de apatia considerável.
Fiquei me questionando: talvez, para avançarmos na direção de uma sociedade mais evoluída, precisemos nos tornar, como indivíduos, pessoas mais evoluídas. Porque os neuróticos graves ainda estão presos numa dose maciça de egocentrismo: não há espaço para os grandes problemas do mundo. Não há espaço para a África nem para o trabalho escravo dos chineses. Não há espaço para a dívida interna dos Estados Unidos e para questionar a falta de terras num país de latifúndios como o nosso. Não. O neurótico grave ainda está tentando descobrir quem é o filho preferido e gastando toda sua energia para conquistar o amor de papai e mamãe – mesmo que já tenham morrido.
Não sou adepta do higienismo, nem sou amante da psicanálise, mas fico me questionando: poderemos fazer revolução apesar dos neuróticos graves e sua ótica personalista?
Talvez seja necessário um passo anterior: dar mais atenção à saúde mental das crianças hoje, pensando num futuro mais promissor.
Mas esta semana estive pensando nos neuróticos graves. A questão deles é muito anterior a isso, muito mais primitiva, se falarmos de desenvolvimento humano. Os neuróticos em grau severo ainda estão enredados nas questões mais primárias do ser humano: competição entre irmãos, necessidade de ser aceito, dúvidas sobre o afeto dos pais, inibição para agir por temor de que sua ação seja julgada como sendo errada e, então, perca a aprovação necessária para sobreviver. Todos esses elementos fazem parte, digamos, de um psiquismo frágil, levando a pessoa a gastar uma grande quantidade de energia mental no cotidiano. O resultado é que pessoas assim costumam ter um grau de apatia considerável.
Fiquei me questionando: talvez, para avançarmos na direção de uma sociedade mais evoluída, precisemos nos tornar, como indivíduos, pessoas mais evoluídas. Porque os neuróticos graves ainda estão presos numa dose maciça de egocentrismo: não há espaço para os grandes problemas do mundo. Não há espaço para a África nem para o trabalho escravo dos chineses. Não há espaço para a dívida interna dos Estados Unidos e para questionar a falta de terras num país de latifúndios como o nosso. Não. O neurótico grave ainda está tentando descobrir quem é o filho preferido e gastando toda sua energia para conquistar o amor de papai e mamãe – mesmo que já tenham morrido.
Não sou adepta do higienismo, nem sou amante da psicanálise, mas fico me questionando: poderemos fazer revolução apesar dos neuróticos graves e sua ótica personalista?
Talvez seja necessário um passo anterior: dar mais atenção à saúde mental das crianças hoje, pensando num futuro mais promissor.
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Eternos insatisfeitos
Minha mãe costuma utilizar essa expressão para designar pessoas que nunca estão satisfeitas com nada. Pois é. Eu cheguei à conclusão de que todos os médicos se encaixam nessa descrição perfeitamente. Eu explico.
Hoje fui à minha sessão de acupuntura e disse à médica que eu havia cochilado na sala de espera. Na mesma hora ela mediu meu pulso e começou a perguntar sobre a minha alimentação, dizendo que, pela medicina chinesa, eu estava com frio no baço, etc etc...
Então ela perorou: "Você deve parar de tomar leite. E não deve comer vegetais crus à noite, porque te fazem mal. Devem ser fervidos no vapor." Tentei argumentar com ela que eu ODEIO legumes cozidos, porque eles ficam moles, com uma aparência horrorosa. Ela ainda continuou dando receitas de chás estranhos para eu tomar de manhã, em vez de tomar leite no café.
Enquanto estava lá com minhas agulhinhas passou um filminho na minha cabeça. "Era uma vez, num reino distante..." Me lembrei que, em 2001, eu parei de comer enlatados, embutidos e refrigerantes, porque minha avó estava com câncer e minha ginecologista disse que esses alimentos tinham relação com a doença.
Algum tempo depois, cortei sanduíches tipo fast-food, que nunca foram algo de que eu sentisse falta. Aos poucos, também cortei as frituras do cardápio. Posteriormente, deixei de tomar líquidos durante as refeições, porque dizem que não faz bem, etc etc etc. Mas eu ainda tinha muitos outros vícios o que, somados à minha fervorosa tendência à obesidade, me levavam a engordar.
Um desses vícios era comer doce. Qualquer um, de qualquer tipo, e desesperadamente. Ano passado comecei a fazer acompanhamento com uma nutricionista e tenho conseguido controlar minha compulsão. Já faz algum tempo que não como doces, substituí por outras opções mais saudáveis. Mas a nutricionista me fez cortar queijos amarelos e todos os tipos de salgadinhos de padaria, assim como biscoitinhos e etcs.
Álcool também nunca foi algo importante para mim, de modo que não sinto falta. Também não tenho o hábito de tomar choppinhos ou happy-hours. Fumar, nunca fumei. Faço academia no mínimo três vezes por semana. Durmo bem.
E então eu fiquei me perguntando: ainda não tá bom, *&$%&*%&$??????????????????????? Ou quem sabe eu deva começar a dieta do xixi??????????
Hoje fui à minha sessão de acupuntura e disse à médica que eu havia cochilado na sala de espera. Na mesma hora ela mediu meu pulso e começou a perguntar sobre a minha alimentação, dizendo que, pela medicina chinesa, eu estava com frio no baço, etc etc...
Então ela perorou: "Você deve parar de tomar leite. E não deve comer vegetais crus à noite, porque te fazem mal. Devem ser fervidos no vapor." Tentei argumentar com ela que eu ODEIO legumes cozidos, porque eles ficam moles, com uma aparência horrorosa. Ela ainda continuou dando receitas de chás estranhos para eu tomar de manhã, em vez de tomar leite no café.
Enquanto estava lá com minhas agulhinhas passou um filminho na minha cabeça. "Era uma vez, num reino distante..." Me lembrei que, em 2001, eu parei de comer enlatados, embutidos e refrigerantes, porque minha avó estava com câncer e minha ginecologista disse que esses alimentos tinham relação com a doença.
Algum tempo depois, cortei sanduíches tipo fast-food, que nunca foram algo de que eu sentisse falta. Aos poucos, também cortei as frituras do cardápio. Posteriormente, deixei de tomar líquidos durante as refeições, porque dizem que não faz bem, etc etc etc. Mas eu ainda tinha muitos outros vícios o que, somados à minha fervorosa tendência à obesidade, me levavam a engordar.
Um desses vícios era comer doce. Qualquer um, de qualquer tipo, e desesperadamente. Ano passado comecei a fazer acompanhamento com uma nutricionista e tenho conseguido controlar minha compulsão. Já faz algum tempo que não como doces, substituí por outras opções mais saudáveis. Mas a nutricionista me fez cortar queijos amarelos e todos os tipos de salgadinhos de padaria, assim como biscoitinhos e etcs.
Álcool também nunca foi algo importante para mim, de modo que não sinto falta. Também não tenho o hábito de tomar choppinhos ou happy-hours. Fumar, nunca fumei. Faço academia no mínimo três vezes por semana. Durmo bem.
E então eu fiquei me perguntando: ainda não tá bom, *&$%&*%&$??????????????????????? Ou quem sabe eu deva começar a dieta do xixi??????????
domingo, 5 de abril de 2009
I.O.U.S.A.
O documentário de 2008, dirigido por Patrick Creadon, examina o crescimento assustador da dívida interna dos Estados Unidos e suas conseqüências para o país. A tradução seria algo como Estados Unidos da Dívida.
O documentário analisa alguns vícios do cidadão comum americano, como a incapacidade de poupar antecipadamente para adquirir um bem, devido à facilidade do crédito. Contrapõe esse tipo de atitude à de um casal de chineses, tomado como exemplo para ilustrar, que guarda nada menos do que metade do que ganha. Dentre as formas de investimento dos chineses, ironicamente, estão títulos da dívida americana.
O filme apresenta Robert Bixby, diretor da Concord Coalition, uma organização voltada para esclarecer à população geral sobre a dívida, suas causas e efeitos. Robert cruza o país acompanhado de David Walker, ex-controlador geral dos Estados Unidos.
No site tem uma versão resumida de 30 minutos e alguns trechos interessantes. Veja aqui.
Mesmo que, apesar da crise, os Estados Unidos ainda sejam a potência que são, é interessante perceber que eles são muito mais do que seriados e filminhos e conseguem ter uma visão crítica sobre si mesmos. Melhor ainda é poder assistir a um filme que traz um pouco da América do Norte real, ao invés de famílias de classe média felizes que ainda têm casa para morar...
O documentário será reapresentado no Domingo, dia 12 de abril, às 21h no GNT.
O documentário analisa alguns vícios do cidadão comum americano, como a incapacidade de poupar antecipadamente para adquirir um bem, devido à facilidade do crédito. Contrapõe esse tipo de atitude à de um casal de chineses, tomado como exemplo para ilustrar, que guarda nada menos do que metade do que ganha. Dentre as formas de investimento dos chineses, ironicamente, estão títulos da dívida americana.
O filme apresenta Robert Bixby, diretor da Concord Coalition, uma organização voltada para esclarecer à população geral sobre a dívida, suas causas e efeitos. Robert cruza o país acompanhado de David Walker, ex-controlador geral dos Estados Unidos.
No site tem uma versão resumida de 30 minutos e alguns trechos interessantes. Veja aqui.
Mesmo que, apesar da crise, os Estados Unidos ainda sejam a potência que são, é interessante perceber que eles são muito mais do que seriados e filminhos e conseguem ter uma visão crítica sobre si mesmos. Melhor ainda é poder assistir a um filme que traz um pouco da América do Norte real, ao invés de famílias de classe média felizes que ainda têm casa para morar...
O documentário será reapresentado no Domingo, dia 12 de abril, às 21h no GNT.
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Greenpeace politicamente incorreto
A TV Cultura noticiou que, no dia de hoje, o Greenpeace, organização voltada para a proteção do meio-ambiente, realizou mais um de seus famosos protestos. Estenderam um banner gigante na ponte Rio-Niterói. Os passantes, movidos pela curiosidade, acabaram se aglomerando no trajeto da ponte, para onde se dirigiram - todos de automóvel, é claro. O resultado: aumentaram as emissões de CO2 no local.
Como dizia meu avô: quando a cabeça não ajuda...
P.S.: Depois de tantos dias preguiçosa, resolvi voltar hoje, 1º de Abril, que vem bem a calhar.
Como dizia meu avô: quando a cabeça não ajuda...
P.S.: Depois de tantos dias preguiçosa, resolvi voltar hoje, 1º de Abril, que vem bem a calhar.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Para gostar de música
Para quem gosta de rock, uma sugestão: Midnight Purple. A banda formada pelos músicos Marcelo Tezeli (guitarras e voz), Marcelo Armôa (baixo) e Sandro Moreno (bateria), está com uma proposta independente, divulgando e comercializando seu trabalho somente pela internet, em princípio. As músicas são todas em inglês e o som é bem legal. A referência principal dessa turma são os Beatles, mas não é difícil encontrar elementos de outros representantes do rock (inglês, principalmente) e do blues.
Os músicos da banda são de Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Apostaram na mão-de-obra sul-mato-grossense para a produção do trabalho: as músicas foram gravadas no Muziart Studio, em Campo Grande, com produção do músico Guilherme Cruz. Além disso, dois clipes já estão sendo produzidos, também com profissionais da cidade. Eles reforçam a máxima punk “Do it yourself” – Faça você mesmo – e apostam nesse sistema para entrar, tanto no mainstream quanto no mercado underground europeu e norte-americano.
Vocês podem ouvir as nove músicas já gravadas pelo Midnight Purple por meio do Reverb Nation ou no link ao lado. Indico começar pela minha preferida, Plastic man.
Entrando neste site, vocês também podem se cadastrar como fãs e receber periodicamente informações sobre novas músicas, shows, material promocional, etc. Por enquanto, a comercialização das músicas deverá ser feita somente pelo ITunes, mas a banda espera poder vender seu trabalho no Brasil, também de forma independente.
Dentro de algumas semanas, dois clipes serão colocados para divulgação na internet. Enquanto os vídeos não saem, é possível ver um “merchand” da banda, postado no YouTube.
Os músicos da banda são de Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Apostaram na mão-de-obra sul-mato-grossense para a produção do trabalho: as músicas foram gravadas no Muziart Studio, em Campo Grande, com produção do músico Guilherme Cruz. Além disso, dois clipes já estão sendo produzidos, também com profissionais da cidade. Eles reforçam a máxima punk “Do it yourself” – Faça você mesmo – e apostam nesse sistema para entrar, tanto no mainstream quanto no mercado underground europeu e norte-americano.
Vocês podem ouvir as nove músicas já gravadas pelo Midnight Purple por meio do Reverb Nation ou no link ao lado. Indico começar pela minha preferida, Plastic man.
Entrando neste site, vocês também podem se cadastrar como fãs e receber periodicamente informações sobre novas músicas, shows, material promocional, etc. Por enquanto, a comercialização das músicas deverá ser feita somente pelo ITunes, mas a banda espera poder vender seu trabalho no Brasil, também de forma independente.
Dentro de algumas semanas, dois clipes serão colocados para divulgação na internet. Enquanto os vídeos não saem, é possível ver um “merchand” da banda, postado no YouTube.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Usuário não-identificado
Venho utilizando esse espaço para, de alguma forma, mostrar o que venho escrevendo. Obviamente, quando se escreve, escreve-se para ser lido. Mas ser lido não significa ser identificado. As pessoas podem ler sem que eu me identifique, coloque meu nome, endereço, telefone, data de nascimento, foto, gostos pessoais e me conforme com os ― inevitáveis? ― rótulos.
Quando as pessoas criam um perfil no Orkut, elas mesmas parecem se rotular pelas comunidades a que dizem pertencer. Eu não tenho Orkut, por diversas razões. Alguns amigos sentenciam: “Você não está neste século.” Realmente, muita coisa desse século ainda não consegui compreender.
Por exemplo: pessoas que começam uma dieta e fazem um diário na internet. Casais que engravidam (ou estão tentando engravidar) e relatam o processo pela internet. O dia-a-dia e o crescimento do filho, pelos blogs, com fotos. Nesse sentido, confirmo que não sou deste século. Faço parte da burguesia e compactuo com seus sagrados ideais de privacidade. A exposição de fatos privados num canal tão escandalosamente aberto como a internet ainda me soa como strip-tease. E, diga-se de passagem, meu corpo não passaria pela prova. O público agradece.
Quando as pessoas criam um perfil no Orkut, elas mesmas parecem se rotular pelas comunidades a que dizem pertencer. Eu não tenho Orkut, por diversas razões. Alguns amigos sentenciam: “Você não está neste século.” Realmente, muita coisa desse século ainda não consegui compreender.
Por exemplo: pessoas que começam uma dieta e fazem um diário na internet. Casais que engravidam (ou estão tentando engravidar) e relatam o processo pela internet. O dia-a-dia e o crescimento do filho, pelos blogs, com fotos. Nesse sentido, confirmo que não sou deste século. Faço parte da burguesia e compactuo com seus sagrados ideais de privacidade. A exposição de fatos privados num canal tão escandalosamente aberto como a internet ainda me soa como strip-tease. E, diga-se de passagem, meu corpo não passaria pela prova. O público agradece.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Porque não és quente nem frio...
Estive lendo algumas coisas que escrevi recentemente e percebi que a grande maioria, invariavelmente, tem um tom ácido, um tanto irônico e corrosivo.
Me lembro de um padre com quem eu costumava me confessar. Ele cuidava de um museu que tinha, entre muitas outras coisas, animais empalhados. Uma vez ele apontou para uma onça pintada (ou jaguatirica, não sei, nunca fui boa nessa área...) e disse: “Olha ali você!”. Na ocasião acho que não gostei muito.
Mas hoje, acho que me conformo e até gosto. Para não fugir da tradição judaico-cristã da minha família, às vezes me pego meditando nas palavras: “porque não és quente nem frio, eu te vomito” (Apocalipse 3,16). Talvez essa sempre tenha sido minha filosofia. Sempre fui “opiniática” como dizia meu avô (Imagine, mulher ter opinião, que absurdo! Mais absurdo ainda ela achar que alguém se interessa em saber o que ela pensa!).
Quem me conhece sabe que morno realmente está longe de ser uma palavra que me descreva. Posso dizer que não é confortável viver um dia congelando e outro no ardente. Às vezes queima até a gente mesmo (porque o frio também queima). Mas, como diz Manoel de Barros, “ninguém pode fugir do erro que veio”.
Me lembro de um padre com quem eu costumava me confessar. Ele cuidava de um museu que tinha, entre muitas outras coisas, animais empalhados. Uma vez ele apontou para uma onça pintada (ou jaguatirica, não sei, nunca fui boa nessa área...) e disse: “Olha ali você!”. Na ocasião acho que não gostei muito.
Mas hoje, acho que me conformo e até gosto. Para não fugir da tradição judaico-cristã da minha família, às vezes me pego meditando nas palavras: “porque não és quente nem frio, eu te vomito” (Apocalipse 3,16). Talvez essa sempre tenha sido minha filosofia. Sempre fui “opiniática” como dizia meu avô (Imagine, mulher ter opinião, que absurdo! Mais absurdo ainda ela achar que alguém se interessa em saber o que ela pensa!).
Quem me conhece sabe que morno realmente está longe de ser uma palavra que me descreva. Posso dizer que não é confortável viver um dia congelando e outro no ardente. Às vezes queima até a gente mesmo (porque o frio também queima). Mas, como diz Manoel de Barros, “ninguém pode fugir do erro que veio”.
sábado, 14 de fevereiro de 2009
Capitalismo X romantismo
Hoje é dia de São Valentim, data em que se comemora o Dia dos Namorados no hemisfério norte e adjacências. Alguns dizem que o famigerado santo nem existiu (como nosso conhecidíssimo Santo Expedito por aqui). Conta-se que, ainda na Roma antiga, a comemoração apropriou-se de uma festa pagã em homenagem à divindade Fauno. Mas, do mesmo modo como outras comemorações que desconhecemos a origem, a festa "pegou". E, como tudo nesse sistema econômico, o capitalismo pegou para si (será que aprendeu com o cristianismo ou vice-versa?).
Só que hoje, os recém quase-pobres cidadãos norte-americanos aboliram as orquídeas (U$ 100 a unidade), os jantares românticos em restaurantes caros, os anéis de diamante da Tiffany´s e os buquês de rosas vermelhas. Algumas lojas ainda tentam convencer os mais românticos e abastados: em vez de um buquê com uma dúzia, um buquê com dez rosas, por alguns dólares a menos.
De acordo com matéria da Folha, é grande a procura por cartões gratuitos na internet e a busca no Yahoo por “anéis de noivado baratos”, “presentes caseiros e criativos para o Dia dos Namorados” e etcs.
A crise está dando a oportunidade para os mais materialistas voltarem a uma época mais singela, de jantares caseiros e surpresas românticas e sem ostentação. Para os mais desconfiados, pode ser uma oportunidade de provar o amor verdadeiro do parceiro (“vamos ver se ela me ama mesmo sem grana”). Para os indecisos, pode ser um auxílio para tomar uma atitude (“Nossa, como ela é interesseira!” ou “Nossa, como ele é quebrado!”).
E não deixa de ser interessante ver os Estados Unidos, o país do consumo, tendo que se afastar do consumismo como modo de vida. E isso não de deixa de ter lá seu lado romântico...
Só que hoje, os recém quase-pobres cidadãos norte-americanos aboliram as orquídeas (U$ 100 a unidade), os jantares românticos em restaurantes caros, os anéis de diamante da Tiffany´s e os buquês de rosas vermelhas. Algumas lojas ainda tentam convencer os mais românticos e abastados: em vez de um buquê com uma dúzia, um buquê com dez rosas, por alguns dólares a menos.
De acordo com matéria da Folha, é grande a procura por cartões gratuitos na internet e a busca no Yahoo por “anéis de noivado baratos”, “presentes caseiros e criativos para o Dia dos Namorados” e etcs.
A crise está dando a oportunidade para os mais materialistas voltarem a uma época mais singela, de jantares caseiros e surpresas românticas e sem ostentação. Para os mais desconfiados, pode ser uma oportunidade de provar o amor verdadeiro do parceiro (“vamos ver se ela me ama mesmo sem grana”). Para os indecisos, pode ser um auxílio para tomar uma atitude (“Nossa, como ela é interesseira!” ou “Nossa, como ele é quebrado!”).
E não deixa de ser interessante ver os Estados Unidos, o país do consumo, tendo que se afastar do consumismo como modo de vida. E isso não de deixa de ter lá seu lado romântico...
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Machismo na moda
Assisti o final de um programa do canal Sony chamado America´s next top model. Parece ser algo como um concurso em que, no final, a candidata ganha um contrato de modelo. Havia 12 candidatas, e uma delas seria eliminada. Depois de analisar as fotos de todas (a maioria bem feinha, diga-se de passagem), o júri decidiu eliminar uma moça.
A justificativa: ela é bonita, fotogênica, as fotos ficaram muito boas. Mas ela é muito questionadora e não fica quieta quando lhe dão ordens. “Você precisa aprender a ficar calada quando pessoas mais experientes lhe dizem o fazer. Isso é extremamente importante no trabalho. Ninguém vai querer trabalhar com uma modelo que fica perguntando o porquê das coisas.” What is that????????? A tal candidata estudava em Yale, deve ter entrado no programa sabe-se lá por que (talvez para ajudar a pagar a anuidade). Claro que a primeira reação é pensar: quem sai na chuva é pra se molhar. Mas os conselhos dados à candidata eliminada descrevem o perfil da mulher desejada. Talvez não tão bonita, mas que se enquadre no padrão e fique, de preferência, de boca fechada (em vários sentidos).
Li uma algumas frases de revistas femininas da década de 1950. As matérias eram voltadas para que a esposa soubesse se comportar da forma esperada pelo homem. Exemplos de dicas da revista:
Se o seu marido fuma, não arranje zanga pelo simples facto de cair cinzas nos tapetes. Tenha cinzeiros espalhados por toda casa. (Jornal das Moças, 1957)
A desarrumação no banheiro desperta no marido a vontade de ir tomar banho fora de casa.(Jornal das Moças, 1965)
A mulher deve fazer o marido descansar nas horas vagas. Nada de incomodá-lo com serviços domésticos. (Jornal das Moças, 1959).
Se desconfiar da infidelidade do marido, a esposa deve redobrar seu carinho e provas de afeto. (Revista Cláudia, 1962)
Hoje em dia, algumas revistas femininas continuam a orientar a mulher sobre o comportamento desejado pelos homens, com matérias do tipo “Enlouqueça seu homem na cama” e etc. Não tenho nada contra enlouquecer seu homem na cama, mas vocês irão concordar comigo que não existem matérias desse tipo nas revistas masculinas. Muito pelo contrário, nas revistas masculinas o foco é o mesmo: o homem e seu prazer. Cabe à mulher procurar satisfazê-lo plenamente, com o risco de ser trocada por outra mais competente no setor.
As revistas femininas continuam ditando padrões para as mulheres: se antes deveriam ser boas esposas, hoje devem ser bonitas, ter um corpo sarado, satisfazer seu homem e... comprar. Comprar muito. Comprar coisas que a façam parecer poderosa e vencedora como um homem. E ficamos cada vez mais burras. Para comprar mais revistas, talvez.
A justificativa: ela é bonita, fotogênica, as fotos ficaram muito boas. Mas ela é muito questionadora e não fica quieta quando lhe dão ordens. “Você precisa aprender a ficar calada quando pessoas mais experientes lhe dizem o fazer. Isso é extremamente importante no trabalho. Ninguém vai querer trabalhar com uma modelo que fica perguntando o porquê das coisas.” What is that????????? A tal candidata estudava em Yale, deve ter entrado no programa sabe-se lá por que (talvez para ajudar a pagar a anuidade). Claro que a primeira reação é pensar: quem sai na chuva é pra se molhar. Mas os conselhos dados à candidata eliminada descrevem o perfil da mulher desejada. Talvez não tão bonita, mas que se enquadre no padrão e fique, de preferência, de boca fechada (em vários sentidos).
Li uma algumas frases de revistas femininas da década de 1950. As matérias eram voltadas para que a esposa soubesse se comportar da forma esperada pelo homem. Exemplos de dicas da revista:
Se o seu marido fuma, não arranje zanga pelo simples facto de cair cinzas nos tapetes. Tenha cinzeiros espalhados por toda casa. (Jornal das Moças, 1957)
A desarrumação no banheiro desperta no marido a vontade de ir tomar banho fora de casa.(Jornal das Moças, 1965)
A mulher deve fazer o marido descansar nas horas vagas. Nada de incomodá-lo com serviços domésticos. (Jornal das Moças, 1959).
Se desconfiar da infidelidade do marido, a esposa deve redobrar seu carinho e provas de afeto. (Revista Cláudia, 1962)
Hoje em dia, algumas revistas femininas continuam a orientar a mulher sobre o comportamento desejado pelos homens, com matérias do tipo “Enlouqueça seu homem na cama” e etc. Não tenho nada contra enlouquecer seu homem na cama, mas vocês irão concordar comigo que não existem matérias desse tipo nas revistas masculinas. Muito pelo contrário, nas revistas masculinas o foco é o mesmo: o homem e seu prazer. Cabe à mulher procurar satisfazê-lo plenamente, com o risco de ser trocada por outra mais competente no setor.
As revistas femininas continuam ditando padrões para as mulheres: se antes deveriam ser boas esposas, hoje devem ser bonitas, ter um corpo sarado, satisfazer seu homem e... comprar. Comprar muito. Comprar coisas que a façam parecer poderosa e vencedora como um homem. E ficamos cada vez mais burras. Para comprar mais revistas, talvez.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Free books
O artista nova-iorquino Eric Doeringer apresenta uma instalação na 14ª Avenida, em Nova Iorque. Trata-se de uma caixa de papelão onde se lê “Free Books” (livros de graça). Dentro da caixa, diversos livros que os pedestres podem levar, se desejarem.
Segundo informações do jornalista Marcelo Armôa, algo semelhante já foi realizado no Brasil.
Eric Doeringer analisa que, toda vez que deturpamos o sentido corriqueiro das coisas, há arte. Dessa forma, o artista retira a última página de cada livro, fazendo com que ele perca sua função.
Ora, ora... Primeiramente: não vi quais livros Doeringer colocou nas caixas, mas será que ele não considera Literatura como arte? Segundo: se eu deixo um prato sujo em cima da mesa, ele já perdeu sua função, pois já me alimentei, e não está onde deveria (na pia, por exemplo, para ser lavado). Isso faz com que o prato sujo se torne arte?
Me lembro de um engenheiro químico, dando esta mesma definição para o que seria lixo: algo que não está sendo usado para os fins a que se destina.
Realmente, os livros podem até ser de graça. Já idéias acho que custam um pouco mais caro.
Segundo informações do jornalista Marcelo Armôa, algo semelhante já foi realizado no Brasil.
Eric Doeringer analisa que, toda vez que deturpamos o sentido corriqueiro das coisas, há arte. Dessa forma, o artista retira a última página de cada livro, fazendo com que ele perca sua função.
Ora, ora... Primeiramente: não vi quais livros Doeringer colocou nas caixas, mas será que ele não considera Literatura como arte? Segundo: se eu deixo um prato sujo em cima da mesa, ele já perdeu sua função, pois já me alimentei, e não está onde deveria (na pia, por exemplo, para ser lavado). Isso faz com que o prato sujo se torne arte?
Me lembro de um engenheiro químico, dando esta mesma definição para o que seria lixo: algo que não está sendo usado para os fins a que se destina.
Realmente, os livros podem até ser de graça. Já idéias acho que custam um pouco mais caro.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Cada um tem o inferno que merece...
...o meu deve ser um dia inteiro ouvindo funk carioca enquanto tento ler um livro.
Mas esta semana estava vendo o programa Ensaio. O programa foi criado por Fernando Faro e é transmitido pela TV Cultura desde a década de 1970. Tem um clima intimista e até meio intimidador, porque não tem cenário e não se ouvem as perguntas, só as respostas do entrevistado, usualmente um grande nome da Música Popular Brasileira. O entrevistador não aparece, nem sua voz. Há apenas o silêncio, indício contraditório de sua presença.
Aí tive um insight: esse deve o ser o inferno de entrevistadores como Jô Soares e Marília Gabriela, ambos desesperados por provar ao grande público a superioridade de sua inteligência em relação à do pobre entrevistado. Esquecem-se que o público liga a televisão para ver precisamente o famigerado entrevistado. Marília Gabriela, depois que descobriu a psicanálise ficou chata como todo psicanalista, cometendo, invariavelmente, a indelicadeza de analisar o entrevistado (comprovando absoluta falta de ética nesse ponto).
Nada mais avesso a esse tipo de entrevistador que o programa Ensaio, no qual, quase como um interrogatório, não se vê o rosto do interrogador. Ele poderia mesmo estar ausente. Ou até dormindo, para nos manter nos clichês de psicanalista...
Mas esta semana estava vendo o programa Ensaio. O programa foi criado por Fernando Faro e é transmitido pela TV Cultura desde a década de 1970. Tem um clima intimista e até meio intimidador, porque não tem cenário e não se ouvem as perguntas, só as respostas do entrevistado, usualmente um grande nome da Música Popular Brasileira. O entrevistador não aparece, nem sua voz. Há apenas o silêncio, indício contraditório de sua presença.
Aí tive um insight: esse deve o ser o inferno de entrevistadores como Jô Soares e Marília Gabriela, ambos desesperados por provar ao grande público a superioridade de sua inteligência em relação à do pobre entrevistado. Esquecem-se que o público liga a televisão para ver precisamente o famigerado entrevistado. Marília Gabriela, depois que descobriu a psicanálise ficou chata como todo psicanalista, cometendo, invariavelmente, a indelicadeza de analisar o entrevistado (comprovando absoluta falta de ética nesse ponto).
Nada mais avesso a esse tipo de entrevistador que o programa Ensaio, no qual, quase como um interrogatório, não se vê o rosto do interrogador. Ele poderia mesmo estar ausente. Ou até dormindo, para nos manter nos clichês de psicanalista...
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Crime e castigo
Até o final desta semana estou de férias. Mas, por incrível que pareça, ao invés de fazer algo que preste nesse tempo, ando me martirizando porque as férias estão no final. Fico pensando que eu deveria estar fazendo isto ou aquilo para aproveitar melhor o tempo. Mas férias não seriam justamente para não se fazer nada? Ou melhor: para ocupar o tempo da forma que se deseja, seja viajando, gastando dinheiro, lendo, dormindo, comendo ou simplesmente não fazendo nada?
Deve ser meu lado judaico-cristão, que se compraz muito mais em se autoflagelar do que em se divertir. Diversão, para mim, sempre implica uma certa dose de culpa. Se compro algo há muito desejado, fico antecipando os possíveis problemas financeiros que a nova dívida acarretará -- mesmo que eu tenha feito os cálculos, como uma boa judia que se preze, e percebido que não haverá nenhum problema financeiro decorrente da referida compra.
Este mês fiz uma viagem maravilhosa com meu marido (que extraordinariamente conseguiu dez dias de folga). Não menos extraordinariamente me peguei pensando que o avião cairia – na viagem de ida, obviamente, assim o sofrimento seria maior porque nem teríamos chegado a gozar das famigeradas férias.
Acho que preciso estudar um pouco mais sobre a culpa. Porque a culpa, assim como o medo, não altera praticamente em nada o curso dos acontecimentos. O fato de alguém ficar se martirizando não irá fazer com que a pessoa seja melhor – ou pior! Talvez seja simplesmente uma forma de ocupar o tempo...
Deve ser meu lado judaico-cristão, que se compraz muito mais em se autoflagelar do que em se divertir. Diversão, para mim, sempre implica uma certa dose de culpa. Se compro algo há muito desejado, fico antecipando os possíveis problemas financeiros que a nova dívida acarretará -- mesmo que eu tenha feito os cálculos, como uma boa judia que se preze, e percebido que não haverá nenhum problema financeiro decorrente da referida compra.
Este mês fiz uma viagem maravilhosa com meu marido (que extraordinariamente conseguiu dez dias de folga). Não menos extraordinariamente me peguei pensando que o avião cairia – na viagem de ida, obviamente, assim o sofrimento seria maior porque nem teríamos chegado a gozar das famigeradas férias.
Acho que preciso estudar um pouco mais sobre a culpa. Porque a culpa, assim como o medo, não altera praticamente em nada o curso dos acontecimentos. O fato de alguém ficar se martirizando não irá fazer com que a pessoa seja melhor – ou pior! Talvez seja simplesmente uma forma de ocupar o tempo...
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
$.O.$. Saúde
Assisti ontem o documentário $.O.$. Saúde (Sicko), de Michael Moore. Sicko foi lançado nos Estados Unidos em 2007 e no Brasil no primeiro semestre de 2008. O documentário escancara os problemas relativos aos planos de saúde nos Estados Unidos. Além de não serem acessíveis à grande maioria da população, há critérios de eliminação ainda para aqueles que podem pagar. Por exemplo: ter uma doença pré-existente ou ter sido submetido a algum tipo de tratamento no passado pode ser considerado fator de “não-elegibilidade” para contratar um plano de saúde. Mesmo que a pessoa esteja disposta a pagar!! Sem plano de saúde, a pessoa poderá simplesmente ir à bancarrota com os custos de um tratamento corriqueiro.
Moore demonstra como e quando os planos de saúde tornaram-se privados e foi eliminado o sistema de saúde público em seu país. Também faz uma retrospectiva das tentativas de se reestruturar o sistema público (lá chamado de socializado). É interessante notar o verdadeiro pavor que a simples palavra socializado causa nos americanos, especialmente os que estão no poder. Uma verdadeira força-tarefa é utilizada para atacar a proposta.
Para desmistificar a relação que os americanos estabelecem entre socializado e socialista/comunista, Moore vai ao Canadá, à Inglaterra e à França para comparar seus sistemas de saúde com o norte-americano. Para finalizar, vai à Cuba.
É bom para pensarmos também no nosso próprio sistema de saúde e em que ponto do caminho estamos. Há interesse por parte dos planos de saúde que o sistema público seja satisfatório? Há interesse em que sejam divulgadas iniciativas públicas que dão certo?
Há quem critique Michael Moore, dizendo que sua visão de mundo é exagerada e fantasiosa. Mas considero seus documentários algo essencial para quem deseja compreender um pouco a nação norte-americana. Além disso, o cineasta consegue tratar de temas altamente relevantes sem se tornar enfadonho (o que é uma bênção). Assista os documentários Fahrenheit 9/11 e Tiros em Columbine, do mesmo autor.
Para quem lê em inglês, pode conferir mais no site: http://www.michaelmoore.com/
Ao pé da página, há um contador registrando os números referentes à Guerra no Iraque: soldados americanos mortos, soldados americanos feridos, mortes de civis iraquianos e mortes excedentes de iraquianos (mortes que não teriam ocorrido se os norte-americanos não tivessem invadido o Iraque).
Moore demonstra como e quando os planos de saúde tornaram-se privados e foi eliminado o sistema de saúde público em seu país. Também faz uma retrospectiva das tentativas de se reestruturar o sistema público (lá chamado de socializado). É interessante notar o verdadeiro pavor que a simples palavra socializado causa nos americanos, especialmente os que estão no poder. Uma verdadeira força-tarefa é utilizada para atacar a proposta.
Para desmistificar a relação que os americanos estabelecem entre socializado e socialista/comunista, Moore vai ao Canadá, à Inglaterra e à França para comparar seus sistemas de saúde com o norte-americano. Para finalizar, vai à Cuba.
É bom para pensarmos também no nosso próprio sistema de saúde e em que ponto do caminho estamos. Há interesse por parte dos planos de saúde que o sistema público seja satisfatório? Há interesse em que sejam divulgadas iniciativas públicas que dão certo?
Há quem critique Michael Moore, dizendo que sua visão de mundo é exagerada e fantasiosa. Mas considero seus documentários algo essencial para quem deseja compreender um pouco a nação norte-americana. Além disso, o cineasta consegue tratar de temas altamente relevantes sem se tornar enfadonho (o que é uma bênção). Assista os documentários Fahrenheit 9/11 e Tiros em Columbine, do mesmo autor.
Para quem lê em inglês, pode conferir mais no site: http://www.michaelmoore.com/
Ao pé da página, há um contador registrando os números referentes à Guerra no Iraque: soldados americanos mortos, soldados americanos feridos, mortes de civis iraquianos e mortes excedentes de iraquianos (mortes que não teriam ocorrido se os norte-americanos não tivessem invadido o Iraque).
sábado, 24 de janeiro de 2009
God bless America!
Vi em uma reportagem na televisão que Barack Obama precisou entrar na justiça para ter o direito de mencionar Deus em seu discurso de posse. Longe de problemas raciais, desta vez são os ateus, que se sentiram agredidos por ele utilizar a palavra Deus em seus discursos durante a campanha. Como medida preventiva, entraram na justiça para impedir o uso da palavra, considerada ofensiva por eles, algo que os exclui.
Sinceramente... (eu poderia ficar o resto da vida colocando três pontinhos agora...). Que falta do quê fazer, não? Parece que os ânimos andam muito acirrados. No Oriente, as guerras têm motivos santos e prometem a eternidade para quem matar em seu santo nome. No Iraque, a "luta pela democracia" também virou quase uma guerra santa, com os americanos jurando libertar o povo iraquiano de todo aquele peso de suas reservas de petróleo... E agora vêm os ateus, com sua não menos raivosa "guerra santa". Eles que me perdoem o termo, se sentirem ofendidos, mas sua luta aguerrida faria inveja a qualquer adorador de Alah que se preze.
Talvez essa ressurreição do ateísmo pode ter a ver com o dólar, porque não adiantou muito eles acreditarem em Deus (como está inscrito na moeda) mas confiarem em George Bush. Deus não apenas não impediu a crise como assiste a tudo como ar impassível.
Sinceramente... (eu poderia ficar o resto da vida colocando três pontinhos agora...). Que falta do quê fazer, não? Parece que os ânimos andam muito acirrados. No Oriente, as guerras têm motivos santos e prometem a eternidade para quem matar em seu santo nome. No Iraque, a "luta pela democracia" também virou quase uma guerra santa, com os americanos jurando libertar o povo iraquiano de todo aquele peso de suas reservas de petróleo... E agora vêm os ateus, com sua não menos raivosa "guerra santa". Eles que me perdoem o termo, se sentirem ofendidos, mas sua luta aguerrida faria inveja a qualquer adorador de Alah que se preze.
Talvez essa ressurreição do ateísmo pode ter a ver com o dólar, porque não adiantou muito eles acreditarem em Deus (como está inscrito na moeda) mas confiarem em George Bush. Deus não apenas não impediu a crise como assiste a tudo como ar impassível.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
Nada mais fora de moda do que escrever para si mesmo. Eu nunca liguei pra moda, mesmo... A moda hoje não é o privado, é o público. De que adianta ter uma depressão se ninguém sabe? De que adianta ter perdido o namorado se ninguém está presenciando sua imensa dor, para se obter ganhos com a pena alheia...? É como a famosa piada da Sharon Stone (de quê adiantar estar com ela se ninguém sabe, etc, etc, etc)!
Talvez vivamos num mundo de miseráveis. Já dizia Mario Quintana, “o que mata um jardim é esse olhar de quem por ele passa indiferente”. Pois as pessoas estão morrendo. De tédio, de futilidade, de egoísmo, de absurdez.
Bem, me refiro às pessoas pequeno-burguesas, como eu. Porque grande parte do mundo está lutando para ganhar a vida, pagar as contas, conseguir uma vaga para os filhos na creche mais próxima, correndo para pegar o ônibus e conseguir um lugar sentado: ufa! Trinta minutos sentado antes de pegar no batente pode ser uma verdadeira glória...
Infelizmente há as velhinhas ― ah, as velhinhas... onde vão com tanta pressa? Por que precisam pegar o primeiro ônibus da manhã, junto com toda a massa de trabalhadores e estudantes cansados e exaltados e exasperados? Velhinhas e massa se olham com olhar de ódio. A massa pensa: “Por que não fica essa dona em casa dormindo pelo menos mais trinta minutos???? Por que não pega o próximo ônibus???? Decerto pega o primeiro ônibus só pra ter o gostinho de tirar o assento de quem precisa trabalhar... Malditas velhinhas!”
As velhinhas pensam: ...... (......)
Desisto! Nunca conseguirei imaginar o que pensam as velhinhas que pegam o primeiro ônibus! Decerto querem se vingar das velhinhas de sua época, que pegavam o primeiro ônibus só para tirar o assento do trabalhador cansado! Ou simplesmente querem ter a ilusão de que ainda precisam acordar cedo para conseguir pegar o ônibus. A ilusão de que ainda fazem parte da massa de pessoas que têm horários e razão para viver (nem que seja um livro-ponto e um chefe insuportável).
E se eu tenho tempo para não apenas pensar mas para escrever essa baboseira toda, talvez eu, assim como as velhinhas, não faça parte da massa que precisa acordar cedo e correr para pegar o ônibus. Talvez esteja num lugar, sentada há muito tempo, vendo a paisagem passar e deixar os passageiros nos pontos de ônibus, exasperados de mais espera.
Talvez vivamos num mundo de miseráveis. Já dizia Mario Quintana, “o que mata um jardim é esse olhar de quem por ele passa indiferente”. Pois as pessoas estão morrendo. De tédio, de futilidade, de egoísmo, de absurdez.
Bem, me refiro às pessoas pequeno-burguesas, como eu. Porque grande parte do mundo está lutando para ganhar a vida, pagar as contas, conseguir uma vaga para os filhos na creche mais próxima, correndo para pegar o ônibus e conseguir um lugar sentado: ufa! Trinta minutos sentado antes de pegar no batente pode ser uma verdadeira glória...
Infelizmente há as velhinhas ― ah, as velhinhas... onde vão com tanta pressa? Por que precisam pegar o primeiro ônibus da manhã, junto com toda a massa de trabalhadores e estudantes cansados e exaltados e exasperados? Velhinhas e massa se olham com olhar de ódio. A massa pensa: “Por que não fica essa dona em casa dormindo pelo menos mais trinta minutos???? Por que não pega o próximo ônibus???? Decerto pega o primeiro ônibus só pra ter o gostinho de tirar o assento de quem precisa trabalhar... Malditas velhinhas!”
As velhinhas pensam: ...... (......)
Desisto! Nunca conseguirei imaginar o que pensam as velhinhas que pegam o primeiro ônibus! Decerto querem se vingar das velhinhas de sua época, que pegavam o primeiro ônibus só para tirar o assento do trabalhador cansado! Ou simplesmente querem ter a ilusão de que ainda precisam acordar cedo para conseguir pegar o ônibus. A ilusão de que ainda fazem parte da massa de pessoas que têm horários e razão para viver (nem que seja um livro-ponto e um chefe insuportável).
E se eu tenho tempo para não apenas pensar mas para escrever essa baboseira toda, talvez eu, assim como as velhinhas, não faça parte da massa que precisa acordar cedo e correr para pegar o ônibus. Talvez esteja num lugar, sentada há muito tempo, vendo a paisagem passar e deixar os passageiros nos pontos de ônibus, exasperados de mais espera.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Post-election blues (Depressão pós-eleição)
É pós-eleição, não pós-ereção (no caso dessa última, a depressão vem pela ausência!).
Em dezembro vi uma matéria na CNN falando do sentimento dos americanos, após um longo processo de primárias e escolha do candidato a presidência dentro do próprio partido para, somente depois disso, iniciar-se a disputa com o (não menos real) adversário de outro partido.
Ao todo, foram dois anos. Uma das entrevistadas conta que percorreu o país de carro, fazendo campanha para Barack Obama como voluntária. Ela se diz deprimida porque, durante a campanha, havia um sentimento de nação, de união em torno de um ideal, que se esvaiu após a eleição. O final da matéria ironizava que as pessoas deveriam encontrar um hobby, ou algo assim.
Acho que aqui no Brasil, nós temos a depressão pré-eleição, um tipo de TPM, só de pensar no horário político que atrapalha a programação de TV daqueles que não têm TV por assinatura. Além disso, é um desfile de gente mal preparada querendo se dar bem. E mais: tudo com o nosso dinheiro! É como dar seu cartão de crédito com senha e tudo para seu filho adolescente passar o sábado no shopping...
De qualquer forma, os estadunidenses terão a oportunidade de tomar uma dose de Prozac no próximo dia 20, com a posse de seu novo presidente. Pode ser que consigam reavivar seu “sentimento de nação”. Yes, they can!
Em dezembro vi uma matéria na CNN falando do sentimento dos americanos, após um longo processo de primárias e escolha do candidato a presidência dentro do próprio partido para, somente depois disso, iniciar-se a disputa com o (não menos real) adversário de outro partido.
Ao todo, foram dois anos. Uma das entrevistadas conta que percorreu o país de carro, fazendo campanha para Barack Obama como voluntária. Ela se diz deprimida porque, durante a campanha, havia um sentimento de nação, de união em torno de um ideal, que se esvaiu após a eleição. O final da matéria ironizava que as pessoas deveriam encontrar um hobby, ou algo assim.
Acho que aqui no Brasil, nós temos a depressão pré-eleição, um tipo de TPM, só de pensar no horário político que atrapalha a programação de TV daqueles que não têm TV por assinatura. Além disso, é um desfile de gente mal preparada querendo se dar bem. E mais: tudo com o nosso dinheiro! É como dar seu cartão de crédito com senha e tudo para seu filho adolescente passar o sábado no shopping...
De qualquer forma, os estadunidenses terão a oportunidade de tomar uma dose de Prozac no próximo dia 20, com a posse de seu novo presidente. Pode ser que consigam reavivar seu “sentimento de nação”. Yes, they can!
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Sugestões de blogs
Dois blogs interessantes: Comédia da vida aleijada e Assim como você. O primeiro é escrito por Juliana Carvalho, de Porto Alegre, que também tem um programa da TV Assembléia de lá, o Faça a diferença. O segundo, assinado por Jairo Marques, sul-mato-grossense radicado em Sampa e jornalista da Folha de São Paulo. Ambos falam das situações vivenciadas por pessoas por deficiência no cotidiano, de uma forma realista, sem pieguice ou autopiedade.
Ambos blogueiros apresentam deficiência física que, entre as deficiências, talvez seja a menos incapacitante, porque limita os movimentos. Convenhamos: para a minha chefe, não faz muita diferença se eu vou me levantar ou não. De preferência não.
Claro que não estou fazendo a apologia da deficiência física, mas as deficiências sensoriais (auditivas e visuais, muitas vezes combinadas) e a deficiência mental podem ser mais limitantes talvez. Não ouvir um som, não ver as cores... Além disso, não conseguir compreender as coisas que a cercam pode ser muito excludente para uma pessoa vivendo num mundo baseado na informação e na capacidade de usá-la.
Mas os blogs sugeridos acima têm o mérito de serem escritos por pessoas com deficiência, ao invés de serem escritos sobre elas. Uma oportunidade para conhecer a realidade a partir de dentro.
Ambos blogueiros apresentam deficiência física que, entre as deficiências, talvez seja a menos incapacitante, porque limita os movimentos. Convenhamos: para a minha chefe, não faz muita diferença se eu vou me levantar ou não. De preferência não.
Claro que não estou fazendo a apologia da deficiência física, mas as deficiências sensoriais (auditivas e visuais, muitas vezes combinadas) e a deficiência mental podem ser mais limitantes talvez. Não ouvir um som, não ver as cores... Além disso, não conseguir compreender as coisas que a cercam pode ser muito excludente para uma pessoa vivendo num mundo baseado na informação e na capacidade de usá-la.
Mas os blogs sugeridos acima têm o mérito de serem escritos por pessoas com deficiência, ao invés de serem escritos sobre elas. Uma oportunidade para conhecer a realidade a partir de dentro.
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Dia de Reis
Hoje é 6 de janeiro, conhecido como Dia de Reis. Em alguns países, como Espanha, por exemplo, hoje é o dia da troca de presentes que, aqui no Brasil, acontece no dia de Natal (ou na véspera à noite).
Fiquei sabendo que os Reis Magos eram, na verdade, uma espécie de astrônomos da antiguidade, pessoas que observavam o céu, os astros e as estrelas. De acordo com a sabedoria daquela época, para cada rei que nascia, surgia no céu uma estrela. Os astrônomos viram surgir no céu uma nova estrela e forma em busca do novo rei. Primeiramente foram a Jerusalém, pensando que deveria ser filho de Herodes. Mas a estrela desapareceu quando estavam lá, sinalizando que não estava ali o novo rei. Quando os magos saíram da cidade, a estrela reapareceu e eles a seguiram.
Mas, para nós mortais, hoje é dia de guardar os enfeites de Natal e desmontar a árvore. Acho que dá uma certa depressão fazer isso. É como se decretássemos o fim do Natal, da época de ser criança e voltássemos para nossas vidas de adultos. E está decretado também o começo do ano (apesar de alguns cariocas dizerem que isso só acontece depois do Carnaval, o restante do Brasil já estava trabalhando muito antes...).
Fiquei sabendo que os Reis Magos eram, na verdade, uma espécie de astrônomos da antiguidade, pessoas que observavam o céu, os astros e as estrelas. De acordo com a sabedoria daquela época, para cada rei que nascia, surgia no céu uma estrela. Os astrônomos viram surgir no céu uma nova estrela e forma em busca do novo rei. Primeiramente foram a Jerusalém, pensando que deveria ser filho de Herodes. Mas a estrela desapareceu quando estavam lá, sinalizando que não estava ali o novo rei. Quando os magos saíram da cidade, a estrela reapareceu e eles a seguiram.
Mas, para nós mortais, hoje é dia de guardar os enfeites de Natal e desmontar a árvore. Acho que dá uma certa depressão fazer isso. É como se decretássemos o fim do Natal, da época de ser criança e voltássemos para nossas vidas de adultos. E está decretado também o começo do ano (apesar de alguns cariocas dizerem que isso só acontece depois do Carnaval, o restante do Brasil já estava trabalhando muito antes...).
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Chique é ter saúde mental!
Estava dando uma olhada em algumas seções da Folha online e eis que me deparo com a seguinte pergunta, que era a chamada da matéria: “Terminar ou continuar um namoro com problemas?” Para o meu espanto, a chamada era do blog de Márcia Zoladz. A coluna: Etiquetésima, ou seja, uma seção cujo objetivo é esclarecer dúvidas sobre etiqueta, ceremonial e boas maneiras.
Felizmente, a própria colunista deu um toque muito sábio para a moça: disse que não se tratava de uma questão de etiqueta ou boas maneiras, mas de uma decisão importante a respeito da vida pessoal de cada um. A colunista disse que costumava receber perguntas consultando sobre o mesmo assunto.
Quando será que namoro ou casamento falido virou problema de etiqueta? Sim, porque, ao menos para os autores das perguntas, trata-se exatamente disso. Há uma preocupação tão grande em estar de acordo com as normas, que os relacionamentos ficam aprisionados nessas regras. Aliás, não estar namorando ou casado com alguém já estar fora da norma.
Não deixa de ser intrigante que alguém escreva para um veículo de comunicação nacional para expor uma dúvida tão particular, pertencente ao ramo privado de sua vida (partindo do pressuposto que alguém realmente escreveu). Num dos casos citados, de namorado ciumento, até já não é tão privado assim, porque alguns bafões costumam ser públicos...
Mas acho que chique mesmo é conseguir perguntar a si mesmo por que motivo é preciso sustentar um relacionamento falido...
Felizmente, a própria colunista deu um toque muito sábio para a moça: disse que não se tratava de uma questão de etiqueta ou boas maneiras, mas de uma decisão importante a respeito da vida pessoal de cada um. A colunista disse que costumava receber perguntas consultando sobre o mesmo assunto.
Quando será que namoro ou casamento falido virou problema de etiqueta? Sim, porque, ao menos para os autores das perguntas, trata-se exatamente disso. Há uma preocupação tão grande em estar de acordo com as normas, que os relacionamentos ficam aprisionados nessas regras. Aliás, não estar namorando ou casado com alguém já estar fora da norma.
Não deixa de ser intrigante que alguém escreva para um veículo de comunicação nacional para expor uma dúvida tão particular, pertencente ao ramo privado de sua vida (partindo do pressuposto que alguém realmente escreveu). Num dos casos citados, de namorado ciumento, até já não é tão privado assim, porque alguns bafões costumam ser públicos...
Mas acho que chique mesmo é conseguir perguntar a si mesmo por que motivo é preciso sustentar um relacionamento falido...
domingo, 4 de janeiro de 2009
Pomba da paz
Acho que os israelenses têm algum problema auditivo e ouvem “Bomba da paz”. E lá vamos nós com as famigeradas Guerras Santas, que são mais demoníacas que qualquer outra guerra, porque as criaturas ainda acham que estão fazendo uma grande coisa. E qualquer pessoa que se atreva a discordar, será acusada de anti-semita, ou anti-islã, ou anti-sei-lá-o-quê.
Na verdade não somos anti-, somos ante-. Estamos à frente desse tipo de pensamento baseado no tacape. Acho que desde que o ser humano desenvolveu a capacidade de se expressar por meio da linguagem, separou-se dos animais na linha evolutiva. Mas sempre há gente querendo nos convencer de que Darwin não só estava certo como há diversas espécies de homo sapiens: o homo insapiens, o homo tacapens, o homo fanaticus e etc.
E infelizmente a humanidade começa o ano de 2009 com mais algumas guerras a computar no nosso boletim... Nota baixa pra nós.
Na verdade não somos anti-, somos ante-. Estamos à frente desse tipo de pensamento baseado no tacape. Acho que desde que o ser humano desenvolveu a capacidade de se expressar por meio da linguagem, separou-se dos animais na linha evolutiva. Mas sempre há gente querendo nos convencer de que Darwin não só estava certo como há diversas espécies de homo sapiens: o homo insapiens, o homo tacapens, o homo fanaticus e etc.
E infelizmente a humanidade começa o ano de 2009 com mais algumas guerras a computar no nosso boletim... Nota baixa pra nós.
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
Discordância ortográfica
Dia 1º de janeiro entrou em vigor o acordo ortográfico entre os países de Língua Portuguesa. Dizem que desde 1986 o projeto já existia, mas Portugal se recusava a assinar. O objetivo da reforma é unificar as grafias da Língua Portuguesa falada em diversos países.
A Academia Brasileira de Letras se manifestou a favor da mudança, porque, segundo Evanildo Bechara, a Língua Portuguesa é a única em que há duas grafias corretas para a mesma língua. Não deve ser a única, a língua inglesa também oferece tais surpresas.
Quem deve estar achando o máximo são os donos de editoras que fornecem livros didáticos às escolas públicas, financiados pelo MEC. Os manuais didáticos, em sua versão reutilizável, poderiam ser usados por pelo menos três anos, por alunos diferentes. Graças à reforma ortográfica, todos os livros terão que ser reimpressos. Não é maravilhoso?
O famoso professor Pasquale Cipro Neto não é favorável às alterações. Muitos escritores renomados, como João Ubaldo Ribeiro, também são contrários à reforma, rebatendo os argumentos de que as modificações na língua auxiliariam o Brasil a ocupar seu lugar no cenário internacional. Afirma ele que não são essas mudanças que alterariam os ventos da economia para o Brasil.
Não sei qual seria nosso lugar no cenário internacional, acho que esse tal cenário parece mais uma peça de teatro para a qual já venderam todos os ingressos — e bem caro. Ficamos nas mãos dos cambistas porque, como diria Cazuza, não nos convidaram pra essa festa pobre... (que de pobre não tem nada).
Não tenho nada contra os portugueses (muito pelo contrário, acho-os bem aprazíveis e defendo até mesmo que cada mulher deveria ter o seu...). Só que, no presente caso, acho que acabamos novamente parecendo uma colônia da matriz real. Vejam só: a palavra ideia não terá mais acento (avisem o corretor ortográfico do Word, ele fica corrigindo insistentemente...). Pois bem. O que irá diferenciar ideia grafado dessa forma e a palavra teia, por exemplo? Um é um ditongo aberto; o outro, um ditongo fechado. Essa era a justificativa para a primeira palavra ser acentuada e a segunda não. Ou será que vamos ter que começar a falar com aquele sotaque português que elimina a diferença na pronúncia?
E qual seria a diferença entre linguiça e enguiça? Como explicar para uma criança que está sendo alfabetizada que se escreve igual, mas se pronuncia de forma diferente? Talvez uma boa explicação seria dizer à pobre aprendiz iniciante da Língua Portuguesa escrita que antigamente éramos uma colônia de Portugal e agora, 500 anos depois, nos desenvolvemos tanto que voltamos a ser (acho que deu saudade...).
Vai um ingresso aí, tio? Na fila da reforma ou contra-reforma?
P.S.: As regras antigas continuarão sendo aceitas até 2012. Acho que vou esperar o preço do ingresso baixar.
P.S.2: Tô me sentindo muito velha... Além de ter nascido no século passado, daqui a pouco vão me dizer: Ah, você é tempo em que se usava trema!
A Academia Brasileira de Letras se manifestou a favor da mudança, porque, segundo Evanildo Bechara, a Língua Portuguesa é a única em que há duas grafias corretas para a mesma língua. Não deve ser a única, a língua inglesa também oferece tais surpresas.
Quem deve estar achando o máximo são os donos de editoras que fornecem livros didáticos às escolas públicas, financiados pelo MEC. Os manuais didáticos, em sua versão reutilizável, poderiam ser usados por pelo menos três anos, por alunos diferentes. Graças à reforma ortográfica, todos os livros terão que ser reimpressos. Não é maravilhoso?
O famoso professor Pasquale Cipro Neto não é favorável às alterações. Muitos escritores renomados, como João Ubaldo Ribeiro, também são contrários à reforma, rebatendo os argumentos de que as modificações na língua auxiliariam o Brasil a ocupar seu lugar no cenário internacional. Afirma ele que não são essas mudanças que alterariam os ventos da economia para o Brasil.
Não sei qual seria nosso lugar no cenário internacional, acho que esse tal cenário parece mais uma peça de teatro para a qual já venderam todos os ingressos — e bem caro. Ficamos nas mãos dos cambistas porque, como diria Cazuza, não nos convidaram pra essa festa pobre... (que de pobre não tem nada).
Não tenho nada contra os portugueses (muito pelo contrário, acho-os bem aprazíveis e defendo até mesmo que cada mulher deveria ter o seu...). Só que, no presente caso, acho que acabamos novamente parecendo uma colônia da matriz real. Vejam só: a palavra ideia não terá mais acento (avisem o corretor ortográfico do Word, ele fica corrigindo insistentemente...). Pois bem. O que irá diferenciar ideia grafado dessa forma e a palavra teia, por exemplo? Um é um ditongo aberto; o outro, um ditongo fechado. Essa era a justificativa para a primeira palavra ser acentuada e a segunda não. Ou será que vamos ter que começar a falar com aquele sotaque português que elimina a diferença na pronúncia?
E qual seria a diferença entre linguiça e enguiça? Como explicar para uma criança que está sendo alfabetizada que se escreve igual, mas se pronuncia de forma diferente? Talvez uma boa explicação seria dizer à pobre aprendiz iniciante da Língua Portuguesa escrita que antigamente éramos uma colônia de Portugal e agora, 500 anos depois, nos desenvolvemos tanto que voltamos a ser (acho que deu saudade...).
Vai um ingresso aí, tio? Na fila da reforma ou contra-reforma?
P.S.: As regras antigas continuarão sendo aceitas até 2012. Acho que vou esperar o preço do ingresso baixar.
P.S.2: Tô me sentindo muito velha... Além de ter nascido no século passado, daqui a pouco vão me dizer: Ah, você é tempo em que se usava trema!
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