segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Seu constrangimento é cortesia da casa

Ela dirigia apressada para conseguir chegar a tempo no banco. Procurou lugar para estacionar... Pô, esse cara não anda, não?? Finalmente consegue estacionar. Na calçada, correu e ultrapassou os transeuntes para chegar antes deles ao banco. Apressou-se um pouco mais e finalmente! Aquele ar condicionado gelado encontrava seu corpo. Era uma das poucas coisas boas em se ir ao banco. Além do dinheiro a sacar, claro.

Entrou pela porta giratória e... E nada. Estacou. O guarda veio em seu socorro: “celular, chaves...?” O celular, rosa bebê, denunciava que ela era uma moça delicada porém sexy. As chaves denunciavam que talvez não fosse tão rica quanto desejava.

Dirigiu-se novamente à porta giratória. Nova decepção. E o guarda: “A senhora tem alguma coisa com metal?” Senhora é a mãe, pensou ela. O porta-moedas estava cheio. Era um bichinho de pelúcia, um sapinho, uma coisa fofa, mesmo, que denunciava que talvez ela não fosse tão adulta quanto gostaria (ou pelo menos era o que sua mãe pensava).

Lá se foi para porta. Barrada novamente. Ela não sabia mais o que poderia ser, não havia nada... A bolsa escancarada possibilitou ao guarda selecionar, averiguar e apontar: “Pode ser essa caixa de óculos aí, ou talvez...” Pode escolher, seu moço, banana, maçã...? Ela tirou a caixa de óculos, que denunciava que ela já não enxergava tão bem como antes. Aproveitou e tirou da bolsa o remédio para enxaqueca, porque afinal ela já não se sentia tão bem como gostaria. Tirou também a escova de dentes e o creme dental, porque ela não ia almoçar como gostaria.

Tentou passar pela porta. “Agora deu, dona!” E assim, revistada toda sua intimidade e despida de toda sua autoconfiança, deixou de ser a atração dos clientes na fila do banco. Ah, se eu tivesse uma faca, nada disso teria acontecido... Mas foi só um pensamento. Pelo menos isso ainda passa pela porta. E dona é a mãe!!!

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