Imagine, uma segunda vida. Como se a primeira já não fosse complicada o suficiente... Não, não é reencarnação. O second life é uma espécie de jogo, um mundo virtual em 3D. A pessoa cria um personagem, uma espécie de alter-ego do que o pobre cidadão comum gostaria de ser, chamado de avatar.
O indivíduo monta tudo: seu corpo, cor de cabelo, altura, peso, sexo, profissão. O programa tem vida própria, com colunistas sociais, jornalistas, que divulgam os acontecimentos do mundo virtual, como o Miss Mundo Virtual 2009 (é 2009, mesmo...). Alguns vêem no programa uma oportunidade para sublimar tendências que não consideram possíveis de serem assumidas na vida real, como uma homossexualidade, por exemplo. Empresas têm lançado eventos simultaneamente no mundo virtual e no mundo real.
Talvez o homem tenha necessidade de fugir da realidade, cada século a seu modo: pelo teatro, pelo romance, pelo cinema e, agora, pela internet (nota: acho que toda forma de arte é um encontro consigo mesmo, não uma fuga, mas vá lá...).
Mas creio que nada se compara ao second life. A simulação da realidade nos faz pensar até que ponto as pessoas não chegaram a um estado de frustração em suas vidas corriqueiras que é necessário inventar outra vida. Se no século passado fazíamos revoluções, neste século o homem senta-se confortavelmente em frente a seu micro e finge ser outra pessoa, em um mundo melhor. A imaginação é a o primeiro passo para se buscar mudança: imaginar um mundo melhor, diferente. Mas a imaginação em torno do próprio umbigo soa mais parecida com uma profunda alienação.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)

2 comentários:
É mesmo. Tá difícil de aceitar a lógica ou racionalidade desse second life.
In my modest opinion, it´s a matter of how your life is. If you ain´t got a life, get a second life!
Para mim há uma grande diferença entre a vazão que a arte propicia à pessoa e o escapismo puro e simples (como drogas, second life, RPGs, etc).
Não discuto que a vida das pessoas está às vezes distante do que elas gostariam mas buscar num second life da vida uma coisa melhor, então...ARGH!
Acho que muitas pessoas sentem necessidade de "ter outra vida", pois a que levam talvez não os agrade. Concordo sobre a questão da arte, mas acho que ela pode ser uma fuga sim. Não sei onde mais vamos parar com tudo isso que a tecnologia está proporcionando. Talvez, daqui um tempo, as pessoas não tenham mais uma vida real, mas apenas um simulacro.
Postar um comentário