....e o quê você fez...?” Sabem... vou fazer uma confissão de Natal para vocês. Eu ODEIO essa música. A música do John Lennon, original, é bonita, tudo bem, mas a previsibilidade de ouvi-la ao menos umas 500 vezes durante o período natalino é maçante demais. E a Simone foi um tanto infeliz em gravá-la... A música já não é muito animada, na voz da Simone ficou depressiva. Sou capaz de sair de uma loja se estiver tocando essa música. Mesmo. E aquelas apresentações de power point, de gosto duvidoso, que têm a musiquinha da Simone de fundo? Bem, há quem goste. Não é o meu caso.
Existem tantas outras músicas mais bonitas, em inglês, português e até em espanhol, como Feliz Navidad, gravada pelo Ivan Lins. Além de não ser em inglês, nos dá uma oportunidade natalina de sentir-nos parte da América Latina -- coisa que o brasileiro médio abomina – mas, afinal, é Natal, vamos tentar.
Às vezes chego a pensar que o tal “espírito natalino” baixou em algum centro espírita e na verdade é uma alma penada. Fica vagando e atormentando os pobres transeuntes e compradores desesperados de presentes de última hora.
Dizem que o período das festas de Natal é uma época em que aumentam o consumo de bebidas alcoólicas e drogas, porque as pessoas ficam depressivas. Talvez fiquem depressivas porque a pressão para parecer feliz, aparentar ter sucesso e ter conseguido tudo o que desejava é opressiva. A necessidade de se confraternizar e de gostar de tudo e todos é quase compulsória. Penso que se permitir admitir não gostar de alguém é o primeiro passo para um perdão num futuro distante (ou próximo). Mas pouca gente se permite.
Chegar ao final do ano é como ter que apresentar um boletim cheio de notas vermelhas para um professor bastante severo e intolerante.
Como seria bom se o presente de Natal pudesse ser a permissão para cada um ser espontâneo e ser como é. Seria muito mais terapêutico e talvez até incrementasse as vendas... Bom, isso também não, porque já está comprovado que certa dose de distimia é ideal para alavancar o consumo. Mas, como é Natal, não custa sonhar!
domingo, 21 de dezembro de 2008
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2 comentários:
Também acho. Se as pessoas tivessem um mínimo de neurônios funcionando, ao ouvir a Simone (que em hebraico quer dizer "ouvinte") não a ouviriam... E mais, se ela canta "então é natal..." pra mim acabou o Natal. Se faltava alguma coisa para ficar deprê, agora não falta mais nada.
É impressionante como a indústria cultural (no sentido preconizado por Adorno) se aproveita da mediocridade das pessoas. E o que é pior, elas ainda gostam!
Artur, eu não sabia que Simone tinha esse significado. Talvez a mãe dela pensou que ela ouviria mais e falaria menos... Mas pobre Simone, não tenho nenhum ódio judaico contra ela, só queria que ela não tivesse gravado essa musiqueta...
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