sábado, 29 de novembro de 2008

Artista virtual

Para quem quer brincar de Jackson Pollock, no site www.jackson pollock.org (veja o link à esquerda) há um aplicativo em flash que permite simular a forma como o artista criava suas obras. O segredo é mover o mouse rapidamente. Para trocar as cores, clique com o botão direito do mouse. O programinha foi desenvolvido por Miltos Manetas, artista multimídia grego radicado em Londres.

Jackson Pollock (1912-1956) pintor americano, expressionista abstrato. Utilizava-se de uma técnica que denominou de gotejamento. Pintava no chão e desenvolvia a obra a partir de uma gota. Em 2000, o ator Ed Harris atuou e dirigiu filme sobre a vida do artista.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Pedestre identificada

Eu estava caminhando até a farmácia, e vinham duas moçoilas na minha frente. Nas costas de uma delas, que usava blusa de alcinha, vi um traço na horizontal. Minha curiosidade me fez apertar o passo. Não precisei muito, porque os dizeres eram grandes: “Ana Luiza”. Assim mesmo, com aspas (how weird!). Vejam só... Fiquei sem palavras com aquilo. Poxa, eu não sou tão velha assim, mas na minha época existiam, para as mais abastadas, correntinhas de ouro com um pingente em que surgia, reluzente, o nome da felizarda. Para os não tão abastados, houve a moda da pulseirinha feita com um pedaço de plástico duro no qual se enrolava linha de cores diferentes, como um tear. Aquela pulseirinha, após seu primeiro banho ficava com um aspecto estranho. Sim, após o banho, porque não tinha fecho, era de amarrar. Lá pelo enésimo banho, ficava mal-cheirosa. Nem preciso dizer que, entre a primeira opção e a segunda, eu tinha a segunda.

Mas voltemos à nossa amiga Ana Luiza, agora devidamente identificada, pois a moça nos deu a oportunidade de, mesmo sem nunca a termos visto, sabermos seu nome... De costas! Como eu sou um pouco mais irônica, imagina que eu iria perder a oportunidade de tatuar algo como “O que que foi, nunca viu?” ou “Vai cheirar o cangote da sua avó!” Ou então, no melhor estilo pára-choque de caminhão: uma vez vi um adesivo (que aliás, na minha época se chamava decalco), que era escrito bem pequenininho, de propósito, com algo do tipo: “Se você chegou a essa distância, está prestes a bater seu carro na minha traseira.” E eu cheguei à conclusão que a intenção da Ana Luiza devia ser parecida.

domingo, 23 de novembro de 2008

Reality shows e voyeurismo 2

Nada como um dia depois do outro. Eu disse aqui mesmo, no dia 20 de novembro, que se eu tivesse Orkut, eu criaria uma comunidade: “Eu assisto reality shows”. Ainda bem que eu não tenho Orkut. Fim de ano vai chegando e começa... Começam a propaganda e as inscrições para um dos programas mais imbecis da televisão (não apenas brasileira: a criação original, pasmem, é da holandesa Endemol Entertainment). Nem vou mencionar o nome do programa, que deturpa o sentido que George Orwell deu ao termo no livro 1984.
Aliás, deviam incluir nas provas para entrar no programa a leitura do livro, pelo menos elevaria um pouco o nível: a pessoa teria que ser alfabetizada para entrar, o que também não garante muita coisa... Pois é, nada como mudar de idéia!
Nessas horas, Quintana, só tu me salvas: Eu não sou desses que um dia pensa uma coisa e no outro dia pensam outra coisa muito diferente. Eu penso as duas coisas ao mesmo tempo. Duas ou mais. Eu não tenho culpa de ser ecumênico. (Caderno H, 2006, p.228).

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Assistir reality show é uma forma de voyeurismo?

Eu não tenho Orkut (sou do século passado) mas, se tivesse, criaria uma comunidade: “Eu assisto reality shows”. Realmente, é viciante. Por que assistir filmes com pessoas irreais, com padrões de beleza irreais, se eu posso acompanhar os problemas de uma pessoa real, com suas imperfeições, e me identificar com eles? De que adianta eu assistir a um filme de uma pobre mocinha rejeitada e feia, se eu sei que, no fim do filme, ela vai ficar linda e maravilhosa porque, afinal, a atriz é a Cameron Diaz... Por isso prefiro os reality shows, por mais fake que possam ser, ainda há vestígios das pessoas comuns que realmente são. Mas não deixa de ser certo voyerismo querer saber segredos da vida dos outros. Mas, desde que Freud surgiu, podemos nos entregar a esse prazer e revesti-lo de curiosidade científica.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Blogs do Além

Vitor Knijnik tem publicado semanalmente na revista Carta Capital a coluna Blogs do Além. A personalidade desta semana é Elvis Presley, com o post impagável A morte me cai bem. Ainda há o blog de Freud, Eu explico, o de Hitler, Marx, Che e por aí vai. Jorge Luis Borges utiliza seu blog para enviar mensagens do além e inconformadamente alertar seus (não)leitores de que muitos poemas que andam circulando pela internet com sua assinatura, na verdade não são dele, porque ele não era tão piegas ou medíocre. Ele revela saber que, em sua maioria, quem costuma confundir é porque não conhece o escritor de fato. (Aproveito para dizer o mesmo em relação a meu amado e injustiçado Mario Quintana, transformado em um poetinha de banalidades pelos power-points aí afora). Para conferir os blogs do além: http://www.blogsdoalem.com.br/

Da série lendas urbanas: A maldição da bruxa gorda

Ah, nada como ouvir a conversa dos outros! Estava eu esta semana na fila do supermercado quando ouvi o fragmento final da conversa de duas amigas: “Eu já não chamo ninguém de gorda por causa disso, morro de medo de ficar gorda, essas coisas voltam, Deus me livre!!!!!”. Aos poucos fui compreendendo. Uma das moças falava sobre sua crença (ou seria certeza?) de que, se chamamos alguém de gordo, essa energia “volta” para você e, no fim das contas, é você que se torna gordo. No melhor estilo “quando apontamos o dedo para alguém, outros dedos ficam em nossa direção”. Fiquei vibrando com aquela filosofia de fila de supermercado! Finalmente descobri a causa do meu aumento de peso no último ano! Devo estar chamando umas vinte pessoas de gorda por dia! Estamos rindo porque nos consideramos pessoas instruídas, claro. Ah, o senso comum! O pensamento mítico! O pensamento mágico! Claro, claro.

Mas a verdade é que não me atrevi a chamar mais ninguém de gorda, nem aquela minha chefe de 150 quilos...

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Aberrações da Psicologia I

Eu já tinha ouvido algumas críticas em relação à Supernanny. Essas críticas se baseavam na questão da exposição pública de adultos e crianças. Além disso, o programa exibe famílias cuja configuração é sempre a tradicional. Outro ponto é que, apesar de ser exibido como algo muito inovador, trata-se da velha Psicologia Comportamental aplicada. E o espantoso é que funciona!

De uns tempos pra cá, comecei a assistir. Sinceramente, cheguei à conclusão de há coisa muito pior por aí. Acho que é caso raro em que a TV aberta tem um programa melhor que outros semelhantes em canais fechados. Na TV por assinatura, talvez o primeiro ou mais conhecido dos programas dessa linha seja Teenangels, produção britânica exibida no People and Arts. Alguns programas foram comprados e vêm sendo exibidos no Fantástico, traduzido como Anjolescentes, numa tentativa de recuperar o trocadilho em inglês, mais uma "pérola" da tradução-dublagem.

Ainda há A Domadora (The Teen Tamer), que estréia este mês no Discovery Home and Health e S.O.S Babás, no mesmo canal. Existem programas voltados especialmente para mães de bebês, um produzido em espanhol, na Colômbia, e outro brasileiro (para mencionar apenas os que assisti).

A quantidade de programas desse tipo expõe nossa insegurança e a necessidade de especialistas que — cada vez mais — nos digam o que fazer, nos mostrem o certo e o errado.

Supernanny, comparado a Teenangels, é um bálsamo. O “clima” é mais tranqüilo, e a babá-psicóloga, apesar de argentina, consegue ser educada e menos invasiva, apesar de tudo (apesar, também, de não ser psicóloga, mas pedagoga. Não deixa de estar em função educativa). Em Teenagels, depois de assistir a cenas gravadas na casa-alvo, dois psicólogos (por que dois? Não me pergunte...) conversam com a família e dão orientações sobre o que deve ser feito. Num segundo momento, instala-se uma espécie de “ponto” nos pais. Os psicólogos dizem o que deve ser falado e os pais então repetem, como políticos lendo um discurso que não foi escrito por eles, repetem as “instruções”. Shame on you, Englishmen! Seriam os ingleses mais incompetentes do que nós? Sim, porque Cris Poli, nossa Supernanny, simplesmente orienta os pais, explica os motivos pelos quais deveriam mudar sua atitude e as razões de determinados comportamentos infantis. Parece funcionar. Talvez os brasileiros realmente sejam mais espertos no quesito habilidades sociais, mesmo quando recebem instruções de um argentino (não contem para o Maradona, ele vai querer roubar o lugar do Dunga...).

A Domadora, apesar de não ter estreado, parece ainda mais assustador, só pelos flashes de propaganda. A própria expressão “domar” revela a concepção que os idealizadores têm dos adolescentes, o que é lamentável.

Por mais que pensemos que somos modernos, senhores razoáveis, verdadeiros iluministas, cuja racionalidade poderia nos salvar de toda desgraça, continuamos pensando em termos de modelos a serem seguidos. A Psicologia foi e vem sendo utilizada para tais propósitos. Vem sendo utilizada para o controle e para estabelecer modelos para seres humanos vivendo em partes distintas do planeta, por vezes ignorando questões de gênero, históricas, sociais e culturais. Obviamente não me refiro à totalidade da Psicologia como ciência, mas — sejamos sinceros — no senso comum, Psicologia remete a controle, ao rótulo de quem é normal ou louco.
E, somado a tudo isso, como somos seres deste século, não basta ter um problema, é necessário que o mundo inteiro saiba. Mas isso já é outra história.

sábado, 15 de novembro de 2008

Bono e o Papa ou You can´t scape from who you are

No dia 6 de novembro, a MTV transmitiu o EMA (não, não é um bicho), o Europe Music Awards, direto de Liverpool. Como sempre, os europeus fazem festas muito melhores que as dos americanos, mais bem produzidas, com idéias mais criativas e bem pensadas (sou puxa-saco, mesmo). Um dos pontos altos da premiação foi a homenagem ao (ex ou eterno?) Beatle Paul McCartney. O troféu foi entregue por Bono Vox, que fez um discurso um tanto extenso ao homenageado (quase cinco minutos). Algo que chamou a atenção foram as comparações usadas por Bono: “Me convidar para entregar esse prêmio é como perguntar a um padre se ele gostaria de entregar um presente a São Pedro.” “Quando viemos para cá, Paul estava dirigindo. Foi como estar no Papa móvel com o Papa dirigindo!” E, para apresentar o Beatle:“Se estivéssemos em Roma, ele seria o Papa.” E, ao final: “You call him Sir, I call him Lord!” (Um trocadilho sobre o título de nobreza de Paul, senhor, e a palavra Lord, que também é um título de nobreza, mas no jargão religioso se refere a Jesus Cristo). Me identifiquei com o popstar irlandês por sua origem católica (aliás, a longa apresentação de Bono me fez lembrar sermão de missa), mas nada mais fora de lugar do que aqueles comentários católicos numa nação protestante. Seria ingenuidade ou pura provocação? “Tu que o dizes”, would the Lord say...

Escrever pra crer

Deus faz coisas boas mesmo a partir de coisas ruins.
Flores brotam do esterco, mas precisam ser plantadas!
Acho que é Deus quem planta.
Será que não é Ele também que joga o esterco?
Acho que não, porque senão Ele seria ruim.